Por que devemos evitar comparações?


Costumo usar a expressão “somos socialmente construídos e biologicamente particulares” para explicar que o que nós somos é fruto de um processo de interação nas mais diversas instituições que já nos aproximamos (família, escola, religião), e que, nosso corpo é único nesse universo, como nossos processos bioquímicos e cognitivos. Cada ser humano possui habilidades diferentes e, na prática esportiva não teria como ser diferente.

É uma prática comum que admiremos as pessoas mais requisitadas nos noticiários do jiu-jitsu. Admiramos nossos mestres, amigos de treino, e suas fantásticas capacidades de desenvolver uma luta, em alguns casos, rápida, dinâmica, “fechadinha”, flexível, acrobática… Diferente da nossa. Posso continuar o texto só com exemplos de estilos de luta. Mas, porque que eu não consigo desenvolver da mesma forma que minha amiga de treino ou meu professor(a) desenvolveu? O problema está aí, a comparação, que pode passar da fase de admiração para a cobrança pessoal, insegurança e até desânimo com os treinos. A cobrança pessoal pode ser até positiva e ajudar no treinamento, o problema está no “autoflagelo” por não conseguir os resultados que as pessoas próximas estão alcançando. Vou tentar buscar algumas respostas para que você entenda seu treinamento e não desanime, se você estiver achando que seu treino não está evoluindo.

De acordo com o Ph.D. romeno, Tudor O. Bompa, especialista em periodização do esporte, a técnica é um modo específico de realizar exercícios físicos que se apoiam em um grupo de procedimentos que, por sua forma e conteúdo, assegura e facilita o movimento. Para ser bem sucedido em uma modalidade esportiva, o atleta necessita de uma técnica perfeita, pois, quanto mais próximo da perfeição a técnica estiver, menor será a energia despendida para atingir um resultado. Logo, para que alcancemos um resultado positivo no jiu-jitsu, precisamos nos apropriar das técnicas necessárias para se alcançar o objetivo a ser atingido. No caso da nossa Arte Suave, derrubar, passar a guarda ou aplicar uma raspagem e finalização.

Infelizmente, não somos como o personagem Neo do filme Matrix (Lilli e Lana Wachowisk, 1999), que ao se conectar com um programa de computador consegue se apropriar de todas as técnicas, de diversas artes marciais. Para nós, simples mortais da realidade, só a repetição, num treinamento planejado por etapas (fase básica, específica e competitiva) e o respeito a alguns fatores fisiológicos vai nos fazer chegar a um excelente nível técnico, dentro dos nossos objetivos.

O mesmo cientista nos alerta para um fator muito importante: nem sempre a técnica da atleta campeã pode ser um modelo aconselhável, pois, é muito raro que um modelo técnico seja biomecanicamente completo e fisiologicamente eficiente. Não importa o quão perfeito um modelo possa ser, todos os atletas não irão realizá-lo de forma idêntica, por conta do que já falei no início: somos particulares anatomicamente.

E isso nos ajuda a compreender que, nem sempre seguir a técnica de uma parceira de treino ou de uma grande atleta vai funcionar comigo da mesma forma que funciona com ela. As variadas formas técnicas possuem especificidades mecânicas ajustadas para proporções corporais diferenciadas. Podemos observar a preferência em ser guardeiro(a) em pessoas com pernas um pouco maiores e com uma considerável flexibilidade. Já os passadores, pessoas com força nos membros superiores. Obviamente, isso não é uma regra, algumas pessoas podem escolher sua técnica favorita, ou Tokui Waza, como é chamada no Judô, por outros fatores.

Num estudo realizado com Judocas a respeito desse tema, procurou-se entender os motivos de cada atleta preferir por uma técnica específica durante suas disputas. A grande maioria (18 de 37) disse que a escolha se deu por adaptação à técnica. No mesmo estudo, foi levantada a possibilidade de que a utilização de uma forma técnica preferida evitaria lesões e que alguns atletas readaptaram essa “preferência” por conta de alguma lesão. Mesmo se tratando de outro esporte, que não está muito longe dos traços técnicos do jiu-jitsu (pegada, desequilíbrio, projeção, imobilização, finalização) a busca pelos objetivos partem da mesma ideia de desprender a mínima energia possível e uma eficiência máxima.

Portanto, o problema no seu jogo ou em sua evolução no jiu-jitsu pode estar relacionado a escolhas técnicas precipitadas ou a falta de experiência motora, melhor dizendo, falta de experimentar formas técnicas variadas até se encontrar ou se adaptar numa. Por isso a importância de entender as posições básicas e prestar atenção aos detalhes, desenvolver a noção técnica ao invés de ficar utilizando só força, utilizar ao máximo a técnica apresentada, falar com os professores sobre seus objetivos, visitar outras academias e poder lutar com adversários diferentes do habitual. Essa gama de experiências motoras pode auxiliar muito e mudar sua percepção de treinamento.

Fatores extra dojo podem também impedir a melhoria ou a evolução técnica: estresse, má alimentação, desidratação, cansaço, e no caso das mulheres, numa realidade como a nossa, em que os papéis sociais forçam uma jornada tripla de trabalho (trabalho, cuidar da família, cuidar das tarefas domésticas), isso pode ser bem mais pesado.

O que não pode existir é a comparação. A realidade do outro nunca é igual a nossa. Algumas pessoas conseguem superar alguns obstáculos mais facilmente, outras não. É muito importante perceber isso e, ao invés de julgar ou comparar-se aos companheiros de treino, exercer um pouco de empatia, solidariedade, estimular de uma forma geral quem está precisando. Além de pensar na sua particularidade e o que você precisa para evoluir. Às vezes, é apenas isso que está faltando. Alguém que nos fale que está conosco nessa batalha difícil que é viver e superar os “golpes” que sofremos. Afinal, outra peça imprescindível para sua evolução são seus parceiros de treino.


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