A vida e a visão social de uma atleta amadora


Você, mulher, que já treina há algum tempo por hobby, por amor, que até compete, mas não paga suas contas com renda do esporte, mas tem muito orgulho do que vive. Provavelmente já deve ter ouvido alguma piada/brincadeira, mesmo que saudável, sobre alguém comentando algo sobre você lutar. Coisas do tipo “Ah vou chamar a minha amiga para me defender”, “ninguém segura essa mulher”, “mulher maravilha, que orgulho”, “Será que ela consegue fazer isso? Claro, ela é lutadora, isso é fichinha pra ela” etc. Mas, mesmo que esse tipo de coisa exista, a visão cultural de uma pessoa que luta é muito gratificante, por mais que você não seja uma atleta profissional e o nosso país não valorize do modo que deveria valorizar o esporte. E é disso que vou falar hoje.

Antes de eu fazer toda essa reflexão da vida social de um atleta não profissional, eu ficava me questionando, que tipo de elogio aquelas palavras poderiam significar? Brava? Forte? E aí comecei pensar nos atributos que as pessoas dão para pessoas que lutam no geral. Você já pensou em quantas qualidades um lutador é considerado? Não que todos que “lutem” sejam, mas o fato de lutar te propõe a ser ou buscar essas qualidades, e é por isso que muitas mulheres gostam e sentem orgulho de serem lutadoras.

Agora, quais são as qualidades mais usadas? Vamos pensar no que nós mulheres geralmente escutamos (tirando as “piadinhas” que citei no início)? “Corajosa, disciplinada, guerreira, determinada, forte, independente, decidida, personalidade forte, diferente, especial, inteligente, coração bom, saudável”. Quem não gostaria de ter qualquer uma dessas qualidades? E como disse anteriormente, se lutadores são vistos assim, é porque mesmo que não profissionais, precisam dessas qualidades ou buscam essas qualidades para achar a satisfação pessoal no que fazem.

Eu trabalhei em uma empresa de dog walker nos EUA que prestava serviços para toda região de Washington DC, e para cada serviço, escalavam alguém para ir até o local. Antes de você ir até a residência, a administradora e dona da empresa, mandava mensagem para o cliente e apresentava quem iria fazer o trabalho. Quando ela me apresentava, era sempre do mesmo modo. “A Natasha é uma das pessoas mais disciplinadas e competente para atendê-los. Vocês sabiam que ela luta? É isso, mesmo lutadora de MMA profissional”. E a reação das pessoas era a mesma, “Wow, isso é realmente incrível!” Acho que, na verdade, ela não sabia o que eu realmente fazia e que eu não era atleta profissional (rs), mas ela falava com a boca tão cheia, com tanto orgulho, que o modo como ela se impressionava e as pessoas que ela contava reagiam tão positivamente, que eu achava até fofo como falavam.

No Brasil também não era diferente, todos os chefes que tive em todos empregos, sempre falavam com orgulho que eu fazia artes marciais, que eu competia. Já integrei o time atlético do grêmio da empresa, e até chegavam ser até mais flexíveis do que o normal quando eu precisava viajar para lutar. E o modo de como me descreviam para outras pessoas, era sempre o mesmo e muito positivo.

Agora vem outra reflexão geral, como isso é legal né? Como isso quer mostrar o quanto estamos ganhando o nosso espaço no esporte e estamos sendo muito bem reconhecidas por isso. Quem já competiu sabe o quanto não é fácil passar por tudo que passamos para nos autossuperar, baixar peso, treinar religiosamente, passar por dias fáceis/prazerosos e por dias ruins e ainda ter que ser e dar o seu melhor. Eu sempre tive um pouco de vergonha de falar “sou lutadora”, mesmo porque não sou profissional, e às vezes parecia que estava querendo “me achar”, e as pessoas só descobriam no dia a dia que passavam comigo. Mas hoje em dia já mudei esse pensamento, profissional ou não, somos lutadoras sim, enfrentamos as mesmas dificuldades, os mesmos perrengues, e porque não o mesmo mérito?

Atualmente eu trabalho em uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, o time que eu trabalho é chamado de people, porque integra qualidade, RH, treinamento e gestão de projetos em gerais. Eu estou mais a frente na área de gestão de projetos e treinamentos, mas ajudamos em outras áreas. Em um processo seletivo, fizemos dinâmicas como muitas outras que se tem por aí, você vai selecionando quem acredita ter mais o perfil da empresa e vai passando o filtro. Na última etapa, era uma entrevista individual, com perguntas chaves que davam a decisão final de contratar a pessoa ou não.

Uma das mulheres de um grupo de 20 pessoas mais ou menos, entrou na sala para fazer a entrevista final comigo e um gerente. Cumprimentamos, sentamos, e a primeira pergunta que ele mandou espontaneamente, foi: “Diga algo que me impressione para te contratar”. Ela respondeu: “Hm.. Eu luto jiu-jitsu!”. O gerente sorriu e falou: “Uau, que bacana, parabéns! Treinei um tempo e realmente não é fácil”. Cara, ganhar um “parabéns” na última etapa daquela, era quase finalizar um adversário nos últimos 30 segundos de um campeonato, e ela conseguiu, se intitulando como “lutadora”. Foi aí que eu percebi mais ainda o quanto o nosso valor é nobre.

Por isso meninas, por mais que o jiu-jitsu não seja a profissão de vocês, falem e deixem falar de boca cheia e com muito orgulho o que é ser uma lutadora do tatame e da vida. Vocês merecem o mesmo mérito de toda pessoa que pisa em um tatame, só cada uma sabe o que passa para nunca desistir de algo que tanto gosta, que tanto faz bem, e ser reconhecido por isso é muito justo SIM.


Clube de Vantagens BGM

Agata Almeida

Ser lutadora de jiu-jitsu não é fácil, né! Por isso, temos que ter muito cuidado com a pele, principalmente do rosto. Pensando nisso, fechamos uma parceria linda de morrer com a Agata Almeida – estamos dando 20% de desconto em qualquer procedimento com ela <3
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