Terceira idade e jiu-jitsu: a história da faixa roxa Leiloca


É normal você que nunca treinou jiu-jitsu pensar que o esporte ainda tem uma predominância masculina. Mais comum ainda é você que é mulher acreditar que é algo em que você não vai se encaixar. Quem é que pensa no jiu-jitsu como primeira opção quando inicia um plano de exercícios ou atividades físicas? Tranquilo, não precisa se sentir acanhada em responder outras modalidades… Como eu disse, isso é bem normal.

Mas, se você está esperando que o meu texto discuta a atuação das mulheres no jiu-jitsu – pelo menos de uma maneira generalizada – está enganado. Até porque você que é mulher e jiu-jiteira nos lê exatamente porque já quebrou esta barreira e foi apresentada à arte suave. Não estou aqui para te convencer de que é um esporte sensacional, pois todos nós concordamos com isso!

Em outras palavras, como diz meu mestre Fabio Soró, “o bichinho do jiu-jitsu já te mordeu e te deixou coisada!” (risos).

Eu vou falar contigo sobre outra barreira que eu ainda não tinha quebrado mesmo praticando jiu-jitsu: a terceira idade.

Poxa, será mesmo que é possível uma pessoa da terceira idade praticar a arte suave sem nunca ter tido contato com a arte marcial antes? Será mesmo que ela vai ter fôlego e disposição para treinar com a galera mais nova? Ela vai graduar um dia??? Sim, todos estes questionamentos me passavam pela mente até conhecer a Leiloca.

Leiloca – vamos dizer assim – é a sessentona faixa roxa mais braba que eu conheço! Mulher, assistente social, jiu-jiteira com 63 anos e muita energia durante os treinos. Há seis anos praticando o esporte, ela nos conta como foi que começou:

“Na época eu estava com quase 92kgs, super desmotivada, com a autoestima baixa e com princípio de hipertensão. Meu falecido marido me matriculou no jiu-jitsu e foi assim que eu comecei a praticar artes marciais na Team Nogueira. Eu estava me sentindo envergonhada porque estava muito gorda e tinha passado uma experiência ruim em outras academias relacionadas a preconceito. Algumas pessoas me falaram que isso não era uma coisa normal para alguém da minha idade. Até hoje eu sofro um pouco de preconceito. Mas, eu não ligo porque isso me faz muito feliz, então eu não me importo. Meu marido me incentivou e agora eu sigo adiante”, ressalta Leiloca.

Segundo a fisioterapeuta Renata Paiva, da CRP Fisioterapia, o que as artes marciais empregam na vida do idoso é altamente benéfico para corpo e mente do mesmo, devido à concentração exigida nas aulas há uma grande melhora da parte cognitiva do cérebro. “Sabendo-se que a maioria das doenças hoje são psicossomáticas e que umas das maiores doenças do século XXI é a depressão, a prática das artes marciais faz com que o risco da mesma diminua em 80% e fatores de risco de outras mais também”, contextualiza a especialista.

O que tudo isso me faz pensar? Me faz pensar que com 30 anos eu ainda posso ser uma faixa preta de respeito e ai de mim se parar de treinar! (risos). Brincadeiras à parte, fica aqui a minha singela contribuição para você, mulher, que trabalha, tem jornada dupla, tripla e que pensa às vezes em parar.

Não pare! O esforço será sempre recompensado. A julgar pela Leiloca que foi graduada a faixa roxa com 63 anos, em 2017, e segue assiduamente seus treinos.

E para finalizar o texto com uma frase bem clichê, mas também muito verdadeira: “O faixa preta foi um faixa branca que nunca desistiu!”

Oss


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