Nas entrelinhas da história do Mundial da IBJJF


Foto: Mundial de 2004

De 31 de maio a 3 de junho, todos os entusiastas, atletas, curiosos e afins, puderam ter a oportunidade de assistir a 22ª edição de um surpreendente evento onde a superação, qualidade técnica, estratégia, disciplina e respeito ao próximo e óbvio, se tratando de uma atividade humana, o seus opostos, se fizeram presente. Por mais que os noticiários deem total ênfase nos resultados, muitos testemunharam, como no título do nosso texto sugere, “nas entrelinhas”, lições surpreendentes que o jiu-jitsu brasileiro pode transmitir. Iremos conversar por aqui de uma forma não linear, sobre a história de um dos mais importantes eventos do calendário do jiu-jitsu no mundo e, o ontem e o hoje podem estar de mãos dadas na mesma estrofe.

O mundial da IBJJF teve suas primeiras edições na cidade do Rio de Janeiro, no Tijuca Tênis Clube, na década de 90 mais precisamente em 1996, tendo como seu primeiro campeão absoluto faixa preta Amauri Bietti. Onze anos depois, em 2007, começou a ser realizado nos EUA e, nesta edição, os nomes mais sinistros do evento eram Roger Gracie, Rafael Lovato JR, Xande Ribeiro, Rômulo Barral, Rubens “Cobrinha” Charles, Robson Moura. Atletas que são facilmente flagrados nas arquibancadas da pirâmide de Long Beach e, alguns, ainda competindo atualmente.

Já a participação feminina começou a evoluir alguns anos depois. As competidoras tinham que disputar o torneio com graduações mistas, por exemplo: até determinado período, as atletas das faixas roxa, marrom e preta, caíam na mesma chave, depois marrom e preta (apenas em 2012, todas as faixas foram separadas). Os principais nomes do evento ao longo dos anos eram: Rosangela Conceição, Hannette Staack, Leticia Ribeiro, Leka Vieira, Kyra Gracie, Bianca Andrade, Michelle Nicolini, Polyana Lago, Andreza Pinho, Daniele Piermatei. Nomes sempre presentes nos pódios. Hoje, já podemos assistir as categorias e faixas bem definidas e com uma considerável participação das mulheres.

Muita coisa mudou ou surgiu desde o tempo que os árbitros usavam calças jeans até os “estilosos” ternos e gravatas amarelas atuais. Postura da arbitragem, aprofundamento teórico, calendário rigoroso, agregaram seriedade e credibilidade ao evento. No quesito técnico, berimbolos e guardas 50/50 foram surgindo e se adequando às necessidades dos competidores que transitam entre as classificações de “jiujiteiros” Old School/New School. Entretanto, como já discutimos em outra publicação, a divulgação/transmissão do evento passa distante ainda, dos principais veículos de comunicação do nosso país. As páginas de mídia alternativa, como a nossa BJJGIRSMAG, são cruciais para quem não tem a condição financeira de poder pagar um FloGrappling. Divulgando resultados ou socializando alguns vídeos da competição.

O que é indiscutível em 1996 ou em 2018, são, como disse no início do nosso texto, as lições que os atletas deixam em cada disputa nesse evento. Como não se arrepiar ao lembrar da final do absoluto de 2004, em que Ronaldo Jacaré superou a dor de ter um braço quebrado num armlock aplicado por Roger Gracie, para consagrar-se campeão do mundial?  Como não admirar a atitude de Marcus Buchecha de ceder o título de campeão absoluto ao seu amigo, Leandro Lo? As finais entre Rodolfo Vieira e Marcus Buchecha, a ascensão de Tayane Porfírio, a ética e respeito entre Monique Elias e Claudia do Val. Ou até outros fatos que não ganharam os holofotes, como, Isaque Bahiense, na edição desse ano, entregando sua medalha de campeão ao seu professor da faixa branca até a roxa, em agradecimento pelos ensinamentos e por ter lhe ajudado num período complicado de sua vida. Enfim, momentos que nenhum objeto, como uma medalha, pode reproduzir, ensinar, demonstrar.

Estas são as entrelinhas da história dos mundiais da IBJJF, um megaevento esportivo composto por pessoas que tijolo por tijolo, vão perpetuando e construindo a história do Jiu-jitsu Brasileiro. Dificuldades, superações, momentos tristes ou alegres. Tentei, de uma forma diferente de olhar, dar uma atenção às atitudes que transformam e dão a devida amplitude e continuidade a este evento por 22 anos. Um agradecimento especial a todas essas pessoas por manterem vivas as qualidades humanas da nossa arte suave!  Oss!

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