Jiu-jitsu e silicone


Hoje vamos falar sobre um tema que tem despertado a curiosidade de algumas leitoras e praticantes das artes marciais, em especial o jiu-jitsu. Talvez você já deve ter se perguntado ou imaginado como seria alguém (ou até você mesma) treinar com prótese de silicone, e pensando nisso, decidi trazer alguns depoimentos e curiosidades acerca desse tema.

Atualmente, a busca por mudanças no corpo ou “harmonização do corpo e da mente” estão se tornando cada vez mais comuns entre as mulheres, e com isso a procura por cirurgias plásticas tem aumentado significativamente. Um dos procedimentos cirúrgicos mais procurados é a mamoplastia de aumento, mais conhecida como prótese de silicone. Os motivos que levam as mulheres a fazerem esse procedimento são diversos, dentre eles: aumentar os seios, melhorar o contorno, reduzir a flacidez. O procedimento vai muito além de uma cirurgia que traz uma mudança física para a pessoa, mas pode trazer consigo o aumento/melhoria na autoestima de cada pessoa, o bem-estar e a realização pessoal.

Há diversos tipos/formatos de prótese mamária (redonda, cônica e anatômica), então cabe ao cirurgião plástico (em acordo com o paciente) decidir qual a melhor prótese e o melhor tipo de incisão (que pode ser feita ao redor da aréola; no sulco da mama; ou pela axila), o silicone pode ser colocado de duas formas (por baixo do músculo, ou por baixo da glândula mamária – acima do músculo).

Mas o que tem causado dúvidas a respeito desse tipo de procedimento cirúrgico são algumas perguntas como: quem pratica jiu-jitsu se adapta bem às próteses de silicone?”, “posso treinar e competir normalmente mesmo após colocar silicone?”, dentre outros questionamentos. Confiram depoimentos de algumas atletas de jiu-jitsu a respeito dessas dúvidas:

“Não tive que adaptar e nem mudar meus treinos, e hoje em dia aumentei até minha frequência nos treinos e nos campeonatos. Nas competições não penso muito nisso (em relação a cuidados extras), mas lutar com um top bem reforçado é essencial para não sentir incômodos. Uma posição de 100kg incomoda (mas creio que incomoda também quem não tem silicone), o certo é insistir nos treinos e não encanar com isso. Hoje em dia estou totalmente acostumada com as próteses (❤), mas no início sempre temos receios ou dúvidas.” – Fernanda Carolina, faixa azul da equipe Bonsai/Ratigueri

No início tive que evitar posições como o “100kg” (tanto por baixo como por cima), porque incomodava e sentia um pouco de dor, mas com o tempo o desconforto vai diminuindo. Tive os mesmos cuidados nos treinos e nos campeonatos (mas tive mais cuidados nos treinos, por treinar com homens mais pesados). Não vejo problema em colocar prótese e voltar a treinar, apesar do desconforto e medo inicial, as próteses são feitas para suportar mais de 500kg de pressão. No início, meu rendimento diminuiu (por causa do medo inicial), mas com tempo acostumamos e o treino volta ao normal. Competi após seis meses de prótese, notei apenas a diferença em usar o protetor de seio.” – Graciela Nobre, faixa roxa da equipe Brazuka JJ/Prof Amauri Santos

“Quando comecei a treinar jiu-jitsu eu já tinha a prótese e praticava musculação há um tempo, então não tive que mudar os treinos, e nos campeonatos tento lutar como se não tivesse prótese, assim como nos treinos. Mas acredito que uma volta aos treinos após uma plástica deve ser muito cuidadosa. Nos campeonatos meu jogo não fica limitado, mas nos treinos sinto dificuldade quando saio de alguma posição que tenha muita pressão.” – Paulinha, faixa azul da equipe Liga Oeste

“Fiquei alguns anos sem treinar e quando voltei já tinha as próteses. Não sou competidora, mas sempre tenho cuidado nos treinos e uso protetor para seios (comprei após sentir fortes dores quando uma parceira de treino fez a montada em mim). Os meus seios estão bem mais sensíveis do que eram antes, então sempre tenho que treinar com o protetor, mas apesar disso o meu rendimento é o mesmo de quando eu não tinha silicone. Não costumo participar de competições porque em algumas não pode usar o protetor.” – Michelle Sanches, faixa azul da equipe G13 / Papini

“Coloquei a prótese em 2007 e praticava algumas atividades físicas (mas sem contato físico). Em 2014 comecei a treinar jiu-jitsu e no início sentia um incômodo e dependendo do posição sentia dor leve. Mas ao trocar a prótese, durante um ano meus seios ficavam doloridos nos treinos e na hora dos rolas não conseguia treinar bem, porque o foco era proteger meus seios dos impactos. Durante esse período (um ano) não conseguia rolar quando esquecia o protetor (ficava insegura em relação à prótese). Hoje já consigo rolar quando não estou com o protetor, mas às vezes após um rola com uma pessoa mais pesada/forte sinto uma dor bem leve, mas depois de algumas horas passa. Nos campeonatos é um pouco mais tranquilo não usar o protetor, porque as lutas são com mulheres dentro da sua categoria, e eu sentia incômodo quando rolava com homens que botavam mais força ou eram mais pesados. Aconselho a quem tem prótese, usar o protetor nos treinos. – Viviane Barros, faixa azul da equipe G13 / Papini

Algumas atletas também relataram que treinam com sutiã cirúrgico para tentar evitar os incômodos que sentem nos treinos, principalmente quando estão iniciando no jiu-jitsu, e por terem uma guarda não muito evoluída, podem acabar caindo em posições ruins (desconfortáveis) e talvez machucar os seios.

Vale ressaltar que o silicone pode trazer benefícios e/ou desconfortos em alguns casos, mas isso pode variar de uma pessoa para outra, então procure um cirurgião plástico para tirar suas dúvidas e decidir qual a melhor opção para você. Espero ter ajudado de alguma forma.

OSS!


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