Overtraining: o risco dos excessos


A frase “menos é mais” do arquiteto alemão Ludwig Mies van der Rohe (1886 – 1969) ilustra de forma clara como os excessos podem ser prejudiciais a nossa vida.

No meu caso, percebo que sempre que estou envolvida em alguma atividade que eu realmente gosto ou quando começo alguma atividade nova eu fico com aquela sensação de que eu não posso perder tempo. Foi assim quando comecei a estudar inglês, quando fui para a faculdade, no trabalho e apesar de toda a minha ansiedade o aprendizado e a evolução não foram construídos da noite para o dia, mas com tempo, dedicação e equilíbrio. Muitas vezes, eu esperava chegar no limite para permitir que a minha mente e o meu corpo tivessem um momento de descanso suficiente para recuperar o quanto era exigido deles.

Porém, ainda que nossa mente absorva a ideia de que somos seres humanos com limites, muitas vezes é difícil identificar se estamos ou não nesse limite. Caso estejamos, como reconhecer os excessos e abrir mão deles em prol de uma rotina mais saudável?

Em relação aos treinos não é diferente, pois, uma vez que a lista dos benefícios de se praticar uma atividade física é enorme (liberação de hormônios como a endorfina, melhora na qualidade do sono, sensação de bem-estar, disposição, autoestima, entre outros) a tendência é aumentar a quantidade de treinos.

E quando se fala em jiu-jitsu, podemos acrescentar na lista o desejo de melhorar os seus pontos fracos (como sair daquele triângulo), assim como descobrir e desenvolver os seus pontos fortes (as variações de estrangulamento que você pode fazer partindo da montada, por exemplo) e isso nos torna fortes candidatos a passar mais tempo na academia.

Tratar esse tema não tem como objetivo que você deixe de treinar, mas que você possa treinar por mais tempo e não que a sua rotina no esporte seja interrompida por conta de situações que podem ser evitadas.

Claro que o ritmo dos treinos varia de acordo com o seu objetivo, afinal, se você treina em busca de qualidade de vida provavelmente você não fará a mesma quantidade de treinos que um atleta profissional. Porém, ainda assim, corremos o risco de exagerar na dose não respeitando os limites do nosso corpo e nem atentando para o tempo de recuperação entre um treino e outro.

O overtraining  é caracterizado pelo desequilíbrio entre as atividades realizadas e o tempo de recuperação do organismo. Quando esse desequilíbrio ocorre estamos suscetíveis aos seguintes sintomas:

– Instabilidade Emocional

– Depressão

– Queda na autoestima

– Apatia

– Irritabilidade

– Cansaço

– Distúrbio de sono

– Diminuição do desempenho

– Alterações hormonais

– Perda de apetite

– Aumento da frequência cardíaca

– Vulnerabildiade a lesões.

Os sintomas acima citados, quando não tratados, além de comprometer nossa vida no esporte, comprometem nossa saúde (tanto no aspecto físico quanto emocional), além dos nossos relacionamentos. Cada individuo tem um tempo de recuperação, uma capacidade física e tolerância ao estresse diferente, portanto não temos uma receita de bolo para identificar o overtraining.

Qualquer diagnóstico deve ser feito por um especialista, mas vale ficar atento se você ou algum colega de treino tem passado por uma situação desse tipo, tem sofrido com esses sintomas de maneira crônica, pois, muitas vezes quem está na situação leva mais tempo para perceber e buscar ajuda.

Leia mais:

Overtraining um inimigo do rendimento


Fonte de pesquisa: COSTA, L.O.P.; SAMULSKI, D.M. Overtraining em Atletas de Alto Nível – Uma Revisão Literária. R. bras. Ci e Mov. 2005; 13(2): 123-134.

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