Atleta da Semana: Karen Correia


A atleta desta semana é a meiga e forte faixa roxa Karen Correia. Isso mesmo: mulher com feições delicadas e voz baixa, mas um monstro em técnica e força no tatame.

Karen conta que iniciou os treinos de jiu-jitsu aos dezoito anos de idade por incentivo da  irmã que já treinava há poucos meses. Ela sempre insistiu nisso, mas os convites eram ignorados, até que se mudaram para um apartamento acima da academia onde ocorriam os treinos. “Acho que o destino já havia planejado isso”. Logo que mudaram, o convite para o treino experimental foi aceito e como já se poderia acreditar, o encantamento foi instantâneo, trazendo grandes mudanças na vida de Karen.

A atleta treina na Gladium, na cidade de Garanhuns-PE, que é filiada a Zenith, equipe do Professor Rodrigo Cavaca. Karen conta que sempre gostou de competir, seja em qualquer modalidade, e que quando foi conhecendo melhor o jiu-jitsu, “encasquetou” que queria ser campeã mundial. Naquela época, em que era uma mera iniciante, tomou essa decisão, traçando-a como objetivo principal. Acrescenta, com muita seriedade, que ainda não é uma profissional no Jiu, mas sabe que será consequência natural de seu sonho.

No entanto, não tem sido possível, até o momento, dedicar-se única e exclusivamente aos treinos. É preciso conciliar a prática esportiva com a formação (no final do ano) em Licenciatura em Matemática e os trabalhos de modelo e miss. Isso mesmo! Além de ser uma guerreira nos tatames, a atleta modela, demonstrando o quanto versátil uma mulher pode ser e reforçando a máxima de que a mulher deve estar onde ela quiser. Este ano, Karen representará Pernambuco no Miss Brasil Internacional e isso exige uma dedicação grandiosa. “Costumo dizer que tenho muitas versões de mim mesma e por serem versões completamente distintas entre si, elas me confirmam que posso ser quem eu quiser.”

Os treinos de jiu-jistsu acontecem, no mínimo, quatro vezes por semana. Normalmente nas segundas, quartas e sextas-feiras e também aos sábados, mas não é uma regra. Há algum tempo treina luta olímpica nas terças e quintas-feiras, pois, além de ajudar no desempenho da arte suave, participará dos jogos universitários, na etapa de Goiânia, no mês de abril.

Quanto ao estilo de jogo, acrescenta que se sente confortável em qualquer estilo, mas se identifica mais com o jogo de guarda. As finalizações favoritas são estrangulamentos, quaisquer que sejam.

Fez questão de enaltecer o apoio da família, pois sempre está ao seu lado, motivando e trabalhando para que seja uma pessoa melhor em tudo que decide fazer.

Quanto à participação em competições, relatou que não lembraria de todas, pois foram muitas, já que sempre luta em seu Estado e nos Estados vizinhos, mas destaca duas:

  • a primeira foi uma seletiva pra Abu Dhabi que aconteceu em Natal-RN, em 2015. Era faixa azul e perdeu a primeira luta, mas teve o privilégio de assistir a lutas de grandes nomes do jiu-jitsu e de mulheres que a inspiram, como Michelle Nicolini. “Esse foi um campeonato muito marcante!”
  • A última que participou, a Copa Maria Bonita, realizada em Maceió, evento exclusivamente feminino, ocorrido no último dia 18 de março, em que foi campeã na categoria e vice-campeã no absoluto azul/roxa. “Foi um dia especial!”

Embora o objetivo seja ser campeã mundial, o foco do treinamento é continuar sendo muito feliz com tudo que o jiu-jitsu tem proporcionado, pois o que é feito como amor rende bons frutos. Segundo a atleta, as dificuldades são inúmeras. A falta de incentivo ou apoio é uma delas. Nesta região (interior de Pernambuco), o jiu-jitsu ainda se desenvolve a passos lentos.  Além disso, sofre-se com o preconceito inerente à própria modalidade e ao fato de se ser mulher, praticando esporte “de homens”, como muitos pensam…

Somam-se às dificuldades externas “as interiormente enfrentadas, batalhas diárias que nos colocam a prova e que tornam o caminho mais árduo, mas é aí que precisamos da disciplina. É ela que não nos permite desistir e por isso nos fortalecemos a cada treino.”

Indagada se poderia deixar uma mensagem para as mulheres que treinam jiu-jitsu, independente de profissionalização ou não:

“Sua meta deve ser a felicidade, não a vitória. Pra quem também quer se profissionalizar, a vitória é consequência daquilo que fazemos com o coração, com amor. Quando lutamos porque somos felizes ao lutar, todo o resto é consequência. E pra quem não tem essa pretensão, a superação a cada treino já é mais que suficiente para aquilo que traz felicidade. Cada pequeno passo é uma evolução e isso nos faz muito melhores do que já fomos anteriormente.”

Bom, aqui se expôs um pouco da rotina de Karen como atleta de jiu-jitsu. Sabe-se que o trabalho é árduo e exige muita dedicação.

O que a equipe do Bjj Girls Mag deseja é que a Karen continue sua caminhada, destacando-se na sua cidade e regiões vizinhas, servindo de inspiração para outras mulheres; que possa se dedicar integralmente à realização de seu sonho profissional e que haja mais incentivo a esse esporte tão grandioso em conteúdo como é a arte suave. OSS!

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