Dia Internacional de Luta das Mulheres


Mais um 8 de março e eu já estou há dois anos na BJJGIRLSMAG. Durante este período não posso negar que muita coisa aconteceu no cenário esportivo em nossa arte suave. Hoje temos competições exclusivas para mulheres, temos eventos que buscam a igualdade na premiação, e claro, não posso esquecer de falar da relevância que é ter uma página que chame a atenção para as solicitações das mulheres no jiu-jitsu esportivo.

Num passado não tão distante, era improvável que algum veículo de comunicação desse a mínima atenção para as mulheres nessa modalidade, como também era visto apenas como uma “gentileza”, deixar que uma mulher participasse de uma competição. Mas, não estou falando de 1888 ou 1915. Vigorou até 1970 o Decreto de Lei 3.199/41 que dizia, em seu Art. 54: “Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo, para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país”.

O que quero que você, leitora, possa fazer aqui é, uma análise do quanto muita coisa evoluiu por conta do esforço coletivo de várias mulheres em prol de seus objetivos. Minhas colegas de trabalho, dão um duro danado, levando a sério o trecho da música Dos Margaritas dos Paralamas “ser 2 e ser 10 e ainda ser 1” para poder levar o melhor conteúdo, informação e divulgação todos os dias. Movimentando oportunidades, espaço e visualização para o topo do ranking e para aquelas que querem chegar lá, e, se tratando de mulheres, falar sobre trabalho é muito complicado pois vocês já nascem numa sociedade que naturaliza as tarefas domésticas como exclusividades das mulheres, a horrorosa e real jornada tripla. A competição de vocês já inicia em desvantagem.

E, esse tipo de esforço não aparece em nossas belíssimas publicações. Não aparece que elas fazem tudo isso sem receber um mega salário. Lutam todos os dias em prol das conquistas das mulheres no esporte. E já conseguiram!

Luta, esse substantivo feminino é uma necessidade e uma realidade para todas vocês. Seja no tatame, seja por espaços dentro das instituições reguladoras do esporte, por igualdade de premiações, ou até para chegar no trabalho sem ser violentada, para não se envolver em relações abusivas. Vocês já mostraram em diversas esferas sociais que são capazes, que podem e que superam limites. Não dá pra assistir uma Mackenzie Dern, uma Bia Mesquita, Tayane Porfírio, Virna Jandiroba, Rafaela Silva, Claudia Do Val, Mayra Aguiar e, mesmo assim, continuar difundindo que vocês são o sexo frágil. E isso é interessante para a exploração do trabalho de vocês. É afirmando a submissão e a exploração da mulher, que nossa sociedade respira.

Sinto muito, mas, não é exagero. E seria uma contradição enorme dizer que esporte e política não se misturam. Vocês estão no esporte, hoje, por decisões políticas de mulheres que lutaram e lutam por este espaço. Quando vocês pegam seus quimonos e seguem para o treino de uma modalidade que era totalmente masculina, estão tomando uma atitude política, afirmando que, no passado, tudo se tratava do puro preconceito, que é puro mito. Outras mulheres sofreram para isso.

Em breve, o dia 8 de março vai ficar para trás no calendário, e muitas dessas mobilizações estarão guardadas para quem sabe, um próximo dia 8. Mas tenho certeza que muitas das pautas de vocês ainda não serão atendidas. Portanto, a todos: sejam gentis com suas colegas, não propaguem ideias que prejudicam outras mulheres, contemplem o trabalho de outras mulheres.

No mais, eu quero parabenizar a força e a coragem de todas vocês. Dizer o quanto o esporte ganhou com a inteligência, dedicação, fibra, garra e determinação de todas. Parabenizar minhas colegas de trabalho, Samanta, Carolina, Erika, Fabiana, Priscila, Leticia, Mari, Wanya, Mariela, Natália, Ana, Giovana, Camila, Thainá, Karen, Renata, Diana, pois, este são os nomes das mulheres que trabalham e tocam essa página até hoje. Os nomes das mulheres trabalhadoras não podem só aparecer nas tristes estatísticas. Torço para que cada dia vocês ocupem espaços de decisão dentro deste cenário.

Ainda temos muito pela frente. Oss!

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