Transexuais e competições


O termo transexualidade “refere-se à condição do indivíduo cuja identidade de gênero difere daquela designada no nascimento e que procura fazer a transição para o gênero oposto através de intervenção médica, podendo ser redesignação sexual ou apenas feminilização/masculinização dependendo do gênero a ser transicionado (administração de hormônios e cirurgia de redesignação sexual).”, conforme traduzido corretamente na Wikipédia.

A discussão sobre a participação de indivíduos transexuais é, entretanto, acalorada e polêmica. Observam-se diferentes argumentos entre os defensores e opositores da sua inclusão. Um caso famoso é da lutadora de MMA  Fallon Fox (foto acima), que nasceu homem em 29 de novembro de 1975, em Ohio (EUA). Fallon Fox não havia informado ser uma transexual em suas duas primeiras lutas. Muitos esquecem que a atleta foi nocauteada por uma mulher em combate dentro do octógono. Ashlee Evans-Smith foi a algoz que nocauteou Fox no terceiro round lutando no Championship Fight Alliance 12.

O COI (Comitê Olímpico Internacional), em novembro de 2015, alterou a sua resolução sobre atletas transgêneros que participam de competições oficiais da entidade. Transgêneros masculinos podem participar dos eventos sem nenhuma restrição. Para transgêneros femininos, entretanto, quantidade de testosterona deve ser controlada. Um do requisitos, entretanto, é ter pelo menos um ano de tratamento de reposição hormonal. Estas atitudes claramente são para evitar disparidades biológicas.

É importante deixar claro que muitos opositores baseiam suas opiniões na falta de compreensão real sobre o tratamento hormonal e suas consequências para o corpo humano, como debatido em um artigo científico recente. Entretanto, há de se reconhecer que existem argumentos que devem ser debatidos tecnicamente, como destacado neste mesmo artigo. Uma das questões levantadas é que antes de virarem transexuais femininos estas pessoas viviam como homens e, desta forma, desenvolveram tamanho, musculatura, capacidade pulmonar e habilidades características de homens.

Questões cruciais como níveis de testosterona e níveis de hemoglobina, contudo, se mostraram similares entre indivíduos transexuais femininos e pessoas já nascidas mulheres, conforme um estudo significativo disponível na literatura científica desde 2004. Este trabalho é bastante interessante e mostra que devido a área muscular, força e tamanho os homens tem uma vantagem inerente em alguns esportes e, por estas razões, a maioria acha justo a separação das competições por gênero.

Questões biológicas devem ter um peso mais significativo, segunda a minha opinião absolutamente pessoal. Naturalmente, há muito espaço para se debater e novos argumentos surgem com a evolução da ciência e da ética. Mas, enquanto a biologia mostrar que há de fato uma equidade em condições frente a um determinado desafio, eu vou sim ser a favor da inclusão dos transgêneros seja em que esporte for. E isto inclui o nosso amado jiu-jitsu. As questões éticas, discutidas recentemente por especialistas na questão, também têm apontado para o mesmo sentido de que a inclusão é justa, apesar de ainda engatinharmos e enfrentarmos inúmeros preconceitos.

A Bjj Girls Mag trouxe ano passado o atleta transgênero Pedro Petry no quadro Atleta da Semana. A matéria, assinada por minha amiga Pamella Oliveira, é muito interessante e trouxe muitos debates sobre a questão. Conversando com amigos de tatame sobre a matéria, me perguntaram na ocasião se eu aceitaria uma luta em um torneio com o Pedro. Minha resposta foi um pronto sim. E que não me iludiria pensando que por o Pedro ter nascido mulher eu teria vantagem no embate de força, técnica ou habilidade. Isso seria uma ilusão, além de um preconceito infundado. Não se iludam! As questões técnicas estão sendo fortemente debatidas na academia e a ciência está apontando cada vez mais para uma equidade com os tratamentos hormonais.

E vocês amigas e amigos da BGM? Qual a opinião de vocês sobre esta questão tão discutida, tão atual e tão polêmica? Deixe-nos suas opiniões! Tenham bons treinos e mantenham a mente aberta! Livrar-se dos preconceitos é sim possível, mas requer esclarecimento e humanidade!

Oss!


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Comments 2

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  1. Interessante a matéria, Brenno, e parabéns pela abordagem !! Olha eu sou a favor da inclusão SiMMMMMMMM !! Agora sou contra a suplementação de testosterona que vejo algumas pessoas, incluindo homens, fazendo pra treinar jiu/cross/muay e o diabo a quatro…kkkkkk… Vale salientar que existem mulheres que tem Síndrome do Ovário Policístico e produzem mais testosterona que homens ( eu , por exemplo, tive que fazer pulsoterapia para controle das supra renais que teimavam em exagerar na produção de testo em mim). Ou seja, o problema não está no gênero e sim, no histórico hormonal do indivíduo. Ps: Sou muito feminina + sou bem forte para o meu tamanho. Oss

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