Bater o peso ou curtir a vida?


Todos que iniciam na arte suave são potenciais atletas. É muito pouco provável que um indivíduo chegue a altas graduações sem participar de alguma competição. No jiu-jitsu, (praticamente) todos são competidores pelo menos uma vez.

A adrenalina dos campeonatos é algo que “vicia” muitos atletas. Uns mais, outros menos. Alguns se tornam profissionais, quando as condições favorecem, outros tem como hobbie não só praticar a arte suave mas,  principalmente, competir, pelo prazer de se testar. Todos que já participaram de um campeonato sabem que a primeira luta não acontece no tatame. O primeiro inimigo a ser vencido é a balança.

No feminino, as divisões das categorias de peso são diferentes do masculino. Sendo que a última categoria com limite de peso é a super pesado, cujo teto é 84.3 kg de kimono. No masculino a categoria mais próxima desse peso é o médio, cujo limite é 82.3kg. Depois do médio ainda temos 3 categorias com limite definido, após essas o peso é livre, no pesadíssimo.

É claro que existem todas as categorias do masculino no feminino, porém o peso médio feminino corresponde a 70kg. Imagino que essas divisões foram pensadas levando em consideração que mulheres são menores que homens e consequentemente seriam mais leves, porém num esporte tão diversificado de praticantes será que presumir isso seria o mais correto?

Digo isso pois, por experiência própria, passo por um dilema complicado para lutar. O ideal seria estar no meu peso considerado “saudável” que seria, segundo os avaliadores físicos, próximo aos 75kg, porém eu estou bem acima, mas é um peso que com certo esforço (bastante) eu consigo chegar até os 84.3kg da última categoria feminina limitada.

No ano passado, às vésperas dos meus 30 anos eu decidi que iria bater esse peso para um campeonato. Sempre tinha lutado no pesadíssimo, mas dessa vez eu queria ver como seria meu desempenho.

Eu sou uma pessoa que gosto de desfrutar da companhia dos amigos e familiares e todo mundo sabe que onde tem uma social tem comida, e tem bebida, logo sempre estive acima do peso e sempre treinei e lutei assim.

Pessoal, acho lindo as pessoas que vivem vidas fitness e tem seus corpos sarados e esculturais, vão pras sociais com os amigos e tomam água com limão e comem atum, mas esse lifestyle não cabe nos meus gostos. Mas dessa vez, pra aquele campeonato, eu quis bater o peso e lá fui eu fazer a dieta.

O tempo até a pesagem era curto então tive que sacrificar bastante para bater o peso. Dieta muito severa por um tempo relativamente longo, para meus costumes, mas eu consegui. Foram 14kg em 2 meses. Eu sei que isso não é saudável, mas tinha que bater o peso.

Eu senti na pele que isso não era saudável. Primeiro que a pressão de bater o peso já me levou a uma cansaço psicológico muito grande e o estresse que submeti meu corpo também me prejudicou. Me sentia fraca e cansada. Na hora da luta estava só “o pó da rabiola”.

Eu perdi aquele campeonato. Ganhei a primeira mas fui abatida na segunda. Fiquei em 3°. Quanto disso foi culpa do esforço pra bater o peso, não sei dizer ao certo, mas que eu não estava em condições de lutar, isso era perceptível.

Assim que retornei ao “meu peso”, me sentia melhor e mais disposta nos treinos. Aí surgiu a dúvida. Será que eu devo sacrificar para descer definitivamente para os 84.3 ou até mais?

Tudo isso porque depois dos 84.3 o peso não tem limite. E assim como um homem de 100kg não luta com um de 94kg, porque eu que sou mulher se estiver com 85kg tenho que lutar com atletas de 100kg? A diferença proporcional é a mesma para homens e mulheres, mas as federações não enxergam isso.

Esse texto é mais como um desabafo dessa situação que complica minha vida. Eu ter que escolher entre uma desvantagem muito grande em relação ao peso, pra lutar com atletas com 10, 15 kg a mais que eu, ou sacrificar um dos prazeres da vida que é apreciar boas comidas e bebidas com pessoas que eu gosto para me manter no peso da categoria.

Eu imagino que outras atletas também passam pelo mesmo dilema que eu ou algo parecido. Não somos profissionais, mas queremos competir, porém seria bom que fosse em situação de “justiça” já que não é absoluto. Sei que várias(os) adeptos de ser fitness não vão concordar que essa é uma escolha difícil, mas uma das coisas que mais me fascinam no jiu-jitsu é que ele pode ser praticado mesmo se você não tem o corpo igual ao do Capitão América ou da Mulher Maravilha, o jiu-jitsu é bastante democrático, só depende da vontade da pessoa de continuar.

O que vocês acham? É uma escolha fácil ou difícil para vocês? Oss!

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