Jiu-jitsu e as brigas da vida


Recentemente, o mundo do jiu-jitsu foi invadido por uma enxurrada de mensagens, imagens e áudios relatando uma briga que envolveu um famoso campeão mundial. As informações chegaram sempre de maneira controversa, sem muita convicção em quem enviava os áudios e, como observado, admiradoras e admiradores da arte suave emitindo as mais diferentes opiniões e julgamentos.

Nesta coluna, eu não pretendo emitir uma opinião (nem fazer julgamento) sobre o incidente que aconteceu, mas gostaria de levantar alguns pontos para reflexão junto com vocês, leitoras e leitores do Bjj Girls Mag.

1- Praticantes de jiu-jitsu também são humanos e com sentimentos: Muitas vezes pode-se pensar que pessoas que praticam a arte suave são super humanos, mas não são. Estas pessoas também sentem dor, também sentem fome, sede e também têm sentimentos. Praticantes de artes marciais, igualmente, quando se sentem em uma situação de real ameaça, também tem instinto e agem com ele. É comum o público leigo ter uma visão errônea de praticantes de jiu-jitsu ou de alguma outra arte marcial. Costumamos enxergar tais pessoas quase como que “robôs” que têm suas ações controladas, certinhas, precisas e calculadas apenas por praticarem uma arte marcial. Quase um estereótipo hollywoodiano. E isso não é verdade.

Quem é do mundo das artes marciais sabe que também temos os mesmos sentimentos do que qualquer pessoa. Sentimos medo, raiva, choramos, nos alegramos, buscamos a felicidade e tudo mais. Não se espera jamais de uma pessoa praticante de artes marciais, contudo, a prática do prevalecimento. Esperar que, por alguém saber uma técnica de autodefesa, esta pessoa vá ser agressiva e querer testar suas habilidades em um bar, ou que esta pessoa vá intencionalmente provocar uma briga sem motivos, é próximo a insanidade. Este tipo de coisa quem faz são marginais, sejam ou não praticantes de artes marciais.

2- Praticantes de jiu-jitsu são pessoas treinadas para não serem agressivas: Existem pessoas agressivas que treinam jiu-jitsu? Sim, existem. Mas também existem pessoas agressivas que não treinam jiu-jitsu. Logo, não é a prática da modalidade marcial que dá essa característica a alguém. As academias de jiu-jitsu ensinam técnicas marciais para competições esportivas e para autodefesa. Ao que eu saiba, as academias não estimulam a prática da violência gratuita. Por princípio, como é característica das artes de combate, o autocontrole é muito estimulado e, por isso, acho ainda mais insano pensar que alguém vá, nos dias atuais, sair por aí brigando apenas para se promover ou porque pratica a arte suave. Como frisado anteriormente, estas pessoas são marginais e não artistas marciais.

3- Praticantes de jiu-jitsu têm técnicas de autodefesa e têm o direito de usá-las para preservação da vida: Se você estivesse frente a uma situação de agressão física contra sua pessoa, ou em uma situação em que você corre risco de vida, ou ainda, com alguém importante em sua vida que está vivenciando isto, o que você faria? Usaria seu conhecimento técnico de autodefesa? Sofreria a agressão em silêncio? Apenas observaria a pessoa querida sofrer a agressão? Creio que não. E praticantes da arte suave, assim como você, também não iriam, em princípio, consentir com a situação. Logo, a reação é algo natural e, mesmo, de direito para a preservação da vida. Porém, vale lembrar que existem casos mais complicados de se reagir, como quando o agressor está com porte de armas. É importante, antes de tudo, se preservar e não se colocar em uma situação de risco.

4- O consumo de álcool: Primeiramente, sem falsos moralismos. Eu não sou contra o consumo de bebidas alcóolicas. Cada um deve saber o que faz e o quanto faz. Se lhe é benéfico ou não. É um fato, entretanto, que consumir álcool facilita o acesso aos nossos instintos mais primitivos. E isto inclui o lado da violência. Se a pessoa não tem autocontrole para beber, então que não beba. Quantas histórias todos nós conhecemos de indivíduos que viraram valentões ou valentonas após ingerir álcool? Todos nós conhecemos histórias assim. E associar estas histórias a prática do jiu-jitsu é tão absurdo quanto dizer que a violência do mundo é por causa das artes marciais.

Termino a reflexão de hoje dizendo para estas pessoas que são adeptas da violência gratuita, que bebem e se sentem invencíveis e querem testar seus limites, que não se enquadram nas leis morais, sociais e jurídicas de nossa sociedade e, mais, não representam os princípios do jiu-jitsu. Para vocês eu digo: Cuidado! Vocês podem estar se metendo com alguém que pratica jiu-jitsu. E você vai levar a pior!

Bons treinos a todas e todos! E, como não poderia faltar, termino esta coluna com uma hashtag muito importante: #paz!

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