Guarda 50/50: usar ou banir?


Estratégia de ataque? Amarração? Desde sua popularização no mundial de 2009, a guarda 50/50 vem reunindo um seleto grupo de adeptos e de críticos, que não acreditam que ela seja interessante para a lógica progressiva do BJJ. Sua estética é semelhante a de um cadeado, necessitando uma boa experiência e atenção, para que não se caia em armadilhas.

Em 2015 a IBJJF alterou a regra de marcação de pontos da guarda 50/50 por presar pelas lutas mais fluidas e para evitar que os adeptos vencessem as lutas por vantagens. A alteração impediu que os atletas ficassem por mais de 20 segundos numa situação de dupla puxada, onde os dois estão na guarda, sem que nenhum dos atletas tente subir para realizar uma passagem (Art.6.5.3 Falta de combatividade). Não havendo também marcações de vantagens em tentativas de raspagem, em situações que comecem e terminem na guarda 50/50 (Art.5.8.4). A Federação Internacional de Jiu-Jitsu Desportivo (FIJJD), do professor Humberto Tavares, aplica as mesmas penalidades no seu livro de regras.

Diversos atletas já expuseram suas opiniões sobre esta posição. O faixa preta Murilo Bustamante, um dos primeiros brasileiros a conquistar um cinturão no UFC, deixou algumas recomendações, em matéria da 100kg, sobre a utilização competitiva ou na defesa pessoal, da guarda 50/50: “O Jiu-Jitsu é um esporte que não para de evoluir, sempre surgindo posições novas e conexões entre posições. Algumas são adaptáveis a vida real e a defesa pessoal e outras não. Existem uma inovações meio chatas que surgiram de uns tempos para cá, como a guarda 50-50, uma posição que deixa a luta travada e não tem muita objetividade. Em uma situação real, ela deixa muito exposto a uma chave de pé. Se a regra permitisse uma chave de calcanhar, somente nessa situação, acredito que os lutadores procurariam menos essa posição e a luta fluiria. A chave em questão é proibida, porque é uma posição que machuca, mas a 50-50 é tão chata, tão ruim, que não leva ao principal objetivo do Jiu-Jitsu, que é a finalização. Os atletas ficam tentando a chave de pé reta, mas dessa 50-50 é fácil de defender”. 

Entramos em contato com alguns nomes da atualidade no Brasil e no mundo para opinar também sobre o tema. Competidoras, professoras e professores, árbitros, nomes do jiu-jitsu feminino e masculino.

A campeã mundial e líder do ranking da IBJJF, faixa preta da Aliance, Tayane Porfírio, acha “que deveria ter uma penalidade maior, porque não é uma posição que dá continuidade a outras”. 

Virna Jandiroba, faixa preta da equipe Corpo e Mente, e campeã do Invicta FC (12×0) deixou sua opinião: “Acho que é preciso analisar alguns fatores, talvez usar com algumas condições, por exemplo, por até 30 segundos, e ser considerada amarração, falta de competitividade se ultrapassar esse tempo”.

A professora faixa preta da equipe Rogério Lima JJ, que agora está ensinando nosso BJJ nos Emirados Árabes, Marcia Marques, nos disse: “Eu até gosto dessa posição, porém não pode ser muito repetitiva. O que estraga a posição é a regra de 2 pontos. Fica um jogo muito feio”.

A atleta faixa roxa, competidora campeã nos EUA e instrutora de Jiu-jitsu da AJJEU, Ingrid Fahning propôs uma reflexão: “Acredito que não se deve banir nenhuma posição, a não ser em casos que possam trazer danos para a integridade física dos atletas, pois cada posição criada em um dado momento da história consolida um processo evolutivo do esporte. A guarda 50/50 não foi diferente, ela que veio para apimentar ainda mais diversas lutas icônicas, pois é uma guarda que possibilita inúmeras situações de combate e permite aos atletas jogarem diante de uma estratégia de pontuação. Em minha opinião, penso que se deve haver um bom senso por parte dos atletas para que o uso da guarda não afete a dinâmica da luta”.

O professor, faixa preta quarto grau da Team P.A.S. e árbitro, Sensei André “Soneca”, comentou: “Sou a favor de usar, mas sem amarrar.”

Direto de Qingdao, China, o faixa preta da Atlética Feirense/ Team Carvalho, e campeão de alguns torneios de MMA na Ásia, que agora, ajuda atletas de MMA da Rússia com o Jiu-Jitsu brasileiro, Alison “Monstro” Marques nos contou: “A eficiência da guarda 50/50 nesse caso é muito relativa. Para ela poder ser eficiente, e para evitar que seu adversário passe a guarda ou para segurar um resultado em algumas situações, mas, também pode não ser tão eficiente se você estiver perdendo a luta. Também acho que a nova geração de lutadores tem que parar de reclamar e gerar polêmicas sobre certas posições, sejam elas novas ou velhas, pois, o jiu-jitsu evolui constantemente. Cabe a cada um fazer seu jogo. Particularmente eu gosto de usar a guarda 50/50 em várias situações”.

Encerrando nossas participações, da Rilion Gracie de Pernambuco, o professor faixa preta Sidcley Vieira, parece concordar com a maioria dos participantes e diz que a posição é para “usar, porém, com uma restrição de não permitir que seja usada para amarrar o jogo, a 50/50 é uma guarda fácil de entrar, sobretudo em uma competição, temos que treinar para evoluir a posição”.

Podemos perceber que é quase uma unanimidade que, a guarda 50/50 pode ser utilizada, desde que não afete a dinâmica das lutas. A reflexão sobre sua utilização numa situação real, proposta pelo grande Murilo Bustamante também é muito interessante. Vimos que regras foram alteradas para evitar a amarração e que nenhum dos entrevistados concordam com banir a técnica. E você? Deixe seu comentário a respeito! Oss!


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