Ju Jutsu, Ju Jitsu ou Jiu-jitsu: todos são a mesma coisa?


Durante uma pesquisa sobre a origem do Judô, o Professor Mestre Odair Antonio Borges desenvolveu um artigo em que discutiu as origens e evolução do Ju Jutsu, tentando esclarecer as polêmicas, inclusive, que existem sobre a modalidade brasileira que nós somos praticantes.

A pesquisa é uma excelente fonte científica, já que muitos de nós repetimos algumas histórias que vamos nos aproximando de forma oral nas academias. Alguns de seus dados foram coletados durante seu estágio de estudos e pesquisas na International Budo Universit, no Japão. Dissertarei no início sobre o significado dos nomes e logo após sobre as diferenças entre as artes.

Embora existam as três formas de escritas citadas no título do nosso texto, o significado das palavras permanecem o mesmo, o que altera sua forma escrita e pronunciada é a cultura ou o país que se pratica a arte. O Ju Jutsu é escrito com dois ideogramas, que é um caráter composto da escrita chinesa, representando palavras com sentido relacionado. (JU (柔) e JUTSU (術) que tem sua pronúncia próximo de “Ju” e “dju” e o segundo “djutsu” ou “djitsu”). Estes ideogramas possuem significados e interpretações variadas, que podem ser: Ju = flexível, suave, maleável ou brando. A primeira aparição do Ju usado no Ju Jutsu foi no manuscrito Chinês sobre estratégia militar chamado San Riaku, do período Chou (1122-255 A.C.), baseado no pensamento de positivo e negativo da filosofia de Lao Tsé.

Diferentes escolas de Ju Jutsu deram significados para o ideograma JU, entretanto, sua essência é a utilização eficiente, aplicação correta da força apenas necessária, funcional e específica para o momento. Como o desequilíbrio e o uso eficaz das alavancas e das leis da mecânica.

Já o JUTSU, seu ideograma tem origem no Buguei ou Bujutsu “artes guerreiras”, e significa técnica, astúcia, ou habilidade. O termo Bujutsu era utilizado para denotar as técnicas, artes e métodos de combate desenvolvidos e praticados principalmente por membros da classe militar, os bushi, conhecidos como samurais. Este termo identificou por um tempo as artes guerreiras no Japão.

Então, a tradução de JUJUTSU fica “Técnica/arte suave” ou “técnica/arte flexível”. Todas as formas de JUTSU, ou, todos os sistemas de combate cujo os nomes incluem o sufixo jutsu, foram desenvolvidos através do “Bujutsu”.

Origem Do JU JUTSU (Jiu Jitsu)

De acordo com o pesquisador, o somatório de várias manifestações de lutas orientais/ocidentais primitivas e sistematizadas, com características de ataque e defesa, foi o que deu origem ao JU JUTSU. Desenvolvido a partir do BUJUTSU, foi praticado pelos samurais, que mais contribuíram para a transformação desta luta como arte completa.

As regras e normas esportivas apareceram mais tarde, através das mudanças ocorridas na sociedade japonesa, com o intuito de tornar “aceitável” produções marciais desenvolvidas no Japão. Já que o país abria nesse momento relações comerciais com vários outros países, e vivia um movimento nacionalista. Neste momento histórico surge o Judô, do mestre Jigoro Kano.

A luta de solo (NE WAZA)

Após a criação do “moderno JuJutsu” (Judô), o professor Jigoro Kano passou por problemas financeiros e, também, por conta dos desafios que os lutadores dos outros estilos de JuJutsu o fazia. Foram vários confrontos com o intuito de contestar a eficiência dessa nova apresentação do antigo JuJutsu, o Judô Kodokan. Mataenon Tanabe foi um dos poucos que venceram os desafios contra os alunos do Sensei Kano. Tanabe era especialista em Shime Waza (técnicas de estrangulamentos) aplicadas no solo logo após a projeção ou queda do adversário. O que levou o mestre Kano a pensar melhor em aprimorar o Judô também nas técnicas de domínio (Katame Waza) ou solo (Ne Waza), como já abordei aqui.

Alguns alunos do Kodokan especialistas em luta no solo de antigos estilos de Jujutsu, entre eles, Hajime Isogai, foram designados para corrigir esta falha, alcançando êxito, que foi constatado no desafio entre Hajime Isogai e Mataenon Tanabe, realizado em 1889, em Okayama, terra de Tanabe. Hajime conseguiu dominar Tanabe tanto na luta em pé como na luta de solo. Logo após, o ensino das técnicas de solo foram organizados metodologicamente no Judô, no Japão, tendo grande desenvolvimento pela necessidade da sequência com a luta em pé para o solo.

O jiu-jitsu brasileiro

De acordo com o Sensei Odair, em sua pesquisa, as primeira referências quanto à introdução do Judô/Jiu Jitsu no Brasil datam de 18 de dezembro de 1915, quando aqui chegou um grupo de lutadores chefiados por Mitsuo Maeda (Conde Koma), com o intuito de propagar o Judô/Jiu Jitsu no mundo. Todos eram exímios lutadores, tanto na luta em pé quanto na luta de solo, pois nos antigos estilos de Jiu Jitsu eram desenvolvidos técnicas completas de ataque e defesa, ataques traumáticos a pontos vitais (Atemi Waza), arremessos (Nage Waza), estrangulamentos e chaves de braços, joelho e pés (Kansetsu Waza).

Nesse período confundia-se muito os nomes dessa modalidade de luta.

“Apesar da formulação técnica do Judô já ter sido realizada em 1887 e completada pedagogicamente em 1890, sua difusão internacional caminhava a passos lentos. No Brasil o vocábulo Ju Jutsu (Jiu Jitsu) continuava sendo utilizado, ao invés do termo Judô, até os anos 40, e muitas vezes o Judô era chamado de “moderno Jiu Jitsu” conforme o nome de uma revista publicada na época, “Revista de Judô” e embaixo entre parêntesis (moderno Jiu Jitsu)”, segundo Professor Mestre Odair.

Nessa época ocorreu também o primeiro contato com a família Gracie, através de Carlos Gracie, que tinha 23 anos de idade e junto aos seus irmãos, se adaptaram à luta de solo do antigo Jiu Jitsu. A família conseguiu dar um grande impulso no aperfeiçoamento e desenvolvimento da luta no chão, que foi chamada pela família de Jiu Jitsu. Entretanto, segundo o autor, trate-se apenas de uma forma fragmentada do tradicional Jiu Jitsu. Foram criadas regras e pontuações, dando ênfase somente a uma das partes do Jiu Jitsu, com a denominação de “Jiu Jitsu Brasileiro” ou “Braziliam Jiu Jitsu”.

De acordo com estes dados, podemos observar que em diferentes momentos da história foram determinantes na forma de como se praticar ou chamar a “arte da suavidade” ou “arte flexível”, e que suas características técnicas e métodos de ensino também foram alterados, de acordo com a necessidade do momento histórico. O autor ainda questiona a relegação da família Gracie aos princípios educativos e filosóficos da tradição oriental, já que era práxis adotada pela família a de desafiar outras artes marciais em disputas.

Já podemos observar hoje a preocupação de algumas escolas (equipes) na busca destes princípios filosóficos e técnicos deixados no passado. Lembrando que nosso trabalho não busca uma criminalização da estratégia utilizada pela família Gracie e nem determinar qual seria a melhor apresentação do Jiu Jitsu, e sim, demonstrar com fatos históricos as diferentes manifestações da arte suave até os dias atuais. Oss!

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