Treine duro respeitando o(a) coleguinha!


“A arte é suave, mas o sistema é bruto!” Quem já está no mundo do jiu-jitsu há um tempo já ouviu essa frase. Realmente, eu nunca tive contato com algo tão verdadeiro. Sempre defendemos que o jiu-jitsu é pra todos, porém se o sistema é bruto como podem todas as pessoas suportarem esse sistema? 

Essa pergunta esquentou meus miolos por muitos anos. Depois de todo o caminho que percorri, eu, sendo mulher, classificada como “sexo frágil”, estou viva ainda aí pelos tatames da vida. Não sei dizer se vivi, mas sobrevivi até aqui e vou continuar, mas vira e mexe a pergunta martela na minha cabeça novamente. 

Vi outro dia que uma postagem do BGM sobre graduados que amassam os iniciantes deu muita repercussão, uns a favor e outros contra. Quero deixar minha opinião sobre o assunto e promover um pouco mais essa discussão (e que ela seja produtiva! Estou torcendo).

Pessoal, o sistema é bruto mesmo! Jiu-jitsu não é uma arte fácil, tem que ter muita vontade de treinar pra ir pra frente, graduar e chegar até a preta (e além), é um longo caminho. O jiu-jitsu é para todos, mas é para todos os que querem treinar!

Esse querer, é o querer evoluir a arte, estar no tatame para, efetivamente, treinar, evoluir e ajudar os colegas a evoluir, e não fingir, ou ir lá pra desfilar um kimono novo, uma make nova a prova d’água, etc… (treta has been planted! rs) 

Eu entendo que ninguém se dispõe a fazer uma atividade pensando em se machucar, mas acidentes acontecem em todos os esportes. A pessoa tem que entender que se ela não quer correr esse risco de sofrer as lesões que são possíveis ali no tatame, infelizmente, ela tem que procurar outra atividade. Talvez ficar só na musculação, yoga, ou procurar uma versão fitness de alguma luta (hoje tem tantas por aí), mas no tatame entrou é pra treinar! 

Dito isso me volto para outro ponto da minha opinião geral sobre o assunto: acidentes acontecem, MAS covardia não deve ser tolerada! É inadmissível um indivíduo machucar um companheiro de treino propositalmente. E eu sei que isso acontece! Seja por contenda (vish, é treta!) ou por “orgulho” para provar que é “melhor”. 

Hoje como instrutora observo meus colegas com outros olhos, os vejo como alunos, pois tento exercitar a capacidade de entender as diferenças e particularidades de cada um. Acredito que assim eu possa ajudar melhor um aluno se entender suas facilidades e dificuldades. 

Depois de um tempo observando meus colegas de treino percebi que entender esses detalhes poderia melhorar meu treino, mas não como vocês estão pensando: “agora ela conhece bem o jogo de cada colega e pode usar isso pra GANHAR nos rolas” (eu sei que muitos pensaram isso…rsr). Primeiro que não existe “GANHAR UM ROLA”, treino não é campeonato! De novo… TREINO NÃO É CAMPEONATOOO! Repitam comigo: TREINO NÃO É CAMPEONATO! 

Enfim, a maneira que eu utilizo essas informações para melhorar meu treino é que eu me adapto a cada colega, seja mais ou menos graduado(a) que eu, mais ou menos forte, hobbista ou competidor, esteja em forma ou que nem as Cocas de três dias na geladeira, totalmente “sem gás”. Assim eu sempre tenho um treino duro, mesmo treinando com um iniciante ou com alguém bem mais fraco fisicamente (com os mais fortes e melhores tecnicamente o jeito é entregar o 100%, rezar e pedir pra sair vivo, como sempre! rs).

O que eu acho mais importante disso é que não é só o meu treino que fica melhor. Se eu pensar nessas diferenças, o treino dos meus colegas também fica melhor. Assim temos treinos duros, sem nos machucar e melhoramos juntos a cada dia, pois eu não o(a) machuquei e nem ele(a) a mim, então amanhã poderemos treinar novamente e seguir na evolução constante! 

O que eu quero que vocês pensem é que equilibrar o jogo com o do colega não é aliviar para a pessoa. Assim como se a pessoa, mesmo que iniciante, te finalizar, o mundo não irá acabar (mesmo se seu mestre estiver vendo). Entenda que o tatame não é lugar de guardar orgulho bobo e nem de mostrar que é melhor que seu colega, o objetivo é ser melhor que você mesmo, a cada dia. 

Eu sempre digo que conselho se fosse bom eu não estava dando e sim vendendo, mas essas palavras servem pelo menos para refletir sobre o assunto, e mesmo que minha experiência ainda seja pouca, essas coisas me ajudaram a chegar até aqui (que também não é tão pouco). Então façam o teste e vejam se serve pra vocês. 

Quando for rolar com iniciantes, que seja um treino duro no nível dele(a), aproveite para fazer as técnicas novas, se colocar em situações de defesa propositalmente, defender e sair de 100kg, montada, pegada pelas costas, defesas de golpes encaixados, essas coisas. E lembre-se que no final, tudo é aprendizado! Oss! 

Obs: Essa obs vai para os possíveis leitores que não praticam ou que estão nos primeiros dias da arte suave. Outro dia alguém me perguntou e eu achei interessante esclarecer que quando a gente fala “fazer um rola” é relativo ao verbo rolar. Nos nossos combates, como são no chão, a gente acaba rolando, então daí a expressão “fazer um rola” ou “um rolinha”.

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