Hostilidade entre mulheres: por que isso ainda existe?


Hey garota, como você anda recebendo as visitantes na sua academia? Como você trata aquela menina nova da equipe? Você de fato vive a filosofia da arte suave, ou só quer saber de fotinha de kimono no Instagram com hashtag #jiujitsulifestyle?

Alguns meses atrás fui visitar uma academia e rolei com uma menina que simplesmente me matou (esse texto foi psicografado rs) e eu não estou reclamando do rola duro e sim do tratamento. Foi para machucar, machucou e no fim ainda perguntou: “E aí, achou que fui muito dura com você?”. Saiu rindo com o narizão empinado. Não se tratava de “ser dura”, mas de ser hostil, e convenhamos, não há necessidade. Fiquei meio em choque, mas tudo bem, vida que segue. Mas depois eu fiquei refletindo sobre aquela situação, compartilhei com algumas meninas da minha equipe e todas elas já tiveram experiência com outras mulheres nesse sentido.

Muitas de nós crescemos ouvindo que mulheres são falsas, interesseiras, ciumentas e por aí vai. Crescemos incentivadas a mostrar que somos melhores umas que as outras e hoje isso reflete diretamente no nosso esporte e isso dói. Dói porque em um esporte predominante masculino, nós mulheres deveríamos ser mais unidas, deveríamos querer a evolução uma das outras, contribuir para a descoberta e permanência de mais mulheres no tatame e não querer mostrar que somos superiores. Eu já pratico jiu-jitsu há 2 anos e esse comportamento me assustou, imagina se fosse minha primeira semana? Eu sairia correndo e nunca mais voltaria.

Aceitar, receber bem e cuidar de cada uma das meninas que entra no tatame é um degrau a mais para todas nós. Todas conhecemos alguém que se inscreveu em um campeonato e não teve luta, alguém que desistiu de treinar porque não tinha companhias femininas. Por isso, mais do que dividir um espaço físico, precisamos ocupar um lugar e não conseguiremos fazer isso sozinhas. Precisamos de cada uma, cada garota curiosa, cada menina testando novos esportes, cada uma com suas particularidades.

Vamos deixar a prepotência de lado (dentro e fora do tatame) e acolher todas as mulheres que estão descobrindo o nosso esporte, deixar o espírito competitivo apenas nos momentos certos e saber ponderar como tratamos umas às outras no tatame porque quando uma de nós desiste TODAS nós perdemos!

Oss!

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Comments 5

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  1. Amei seu texto. Vou contar minha experiência no Muai Thay. Certa vez eu fui em um horário diferente do que eu estava acostumada para treinar… Como a academia tinha mudado de endereço, não era todo mundo que eu conhecia e vice versa.. Daí cheguei nesse outro horário e não tinha ninguém conhecido. Eu só queria treinar e ir embora, normal, treino comercial, igual a todo mundo.. Daí tinha uma garota lá que eu nunca tinha visto e canhota. Treinamos juntas e eu senti um pouco de dificuldade, pois nunca havia treinado com alguém canhoto.. E eu não gosto de colocar força em ninguémmmmm, e nesse caso específico eu tinha mais experiência e tal, quase 10 anos de treino.. A guria simplesmente começou a me humilhar.. Falava coisas tipo: faz direito, eu só preciso que vc faça direito, você não bate nada, onde você treina que não sabe nada, ou seja, ela queria que eu medisse força com ela ou que me sentisse mal.. Quando eu ia simular os golpes, mal encostava nela e quando era a vez dela ela colocava toda a força (em vão rsrs) . Enfim… Foi mais ou menos isso que vc falou.. Se eu fosse uma pessoa q estava começando e fosse o primeiro dia, nunca mais voltava, pq a bicha me passou raiva o treino todo, sem contar nas humilhações, sem saber que eu era competidora e atleta do CT, do tempo que eu já praticava o esporte, (tb não contei rsrs).. É uma mania de se mostrar superior.. Seria tão mais legal ser parceiras.. Eu já incentivei tantasssss mulheres que diziam que não dava conta, q era puxado e tal… Vamos nos unir meninaaaaasss…

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