A evolução do kimono: da “coisa de vestir” ao jiu-jitsu


Ah, o kimono (ou quimono) nosso de cada dia! Tem gente que tem mais ciúme dessas lindas peças do que de qualquer outro objeto (ou até pessoa), fato! Mas você sabe a história deles, como eram feitos, o tipo de tecido, a origem da palavra “kimono”? Se não sabe, vem comigo que a gente vai (tentar) fazer um exercício de recuperação da história desse objeto de desejo de qualquer lutador(a) de jiu-jitsu, partindo do geral (a origem do kimono no Japão) para o específico (a evolução dos kimonos de luta).

Comecemos assim:

Uma matéria do Portal São Francisco lembra que: “Kimono em japonês significa literalmente ‘coisa de vestir’. Fora do Japão essa expressão designa genericamente uma variada gama de peças e que no conjunto formam um visual considerado típico ou tradicional japonês, mas também é sinônimo da peça principal. No Japão, a peça principal que nós chamamos de kimono é chamada de kosode”.

O kimono teve origem no Japão e faz parte da cultura do país há mais de dois mil anos. Atualmente ele não é usado no cotidiano das pessoas, mas continua presente em ocasiões especiais como festividades ou eventos sociais. Perceba que a definição para esta vestimenta é generalista, ou seja, a “coisa de vestir” poderia se referir a qualquer componente do vestuário.

Tratavam-se de lindas e longas peças de seda, coloridas ou não, que não tinham um nome específico e eram apenas chamadas de “roupa”, que em japonês é “kimono”. Quando viajantes ocidentais aportavam no Japão e perguntavam ao povo como era o nome das belas roupas que eles vestiam, os nativos lhes respondiam “kimono”. Eis então o motivo pelo qual estas roupas ficaram conhecidas como “roupas” (risos).

Interessante salientar que existem kimonos para diversas finalidades e eles são usados de acordo com o que cada formalidade e estação exigem. O mesmo acontece com os adornos usados com a vestimenta, como o “Obi”, um nome bem familiar para os praticantes do judô, que é nada mais que a faixa usada para manter o kimono fechado. No jiu-jitsu chamamos simplesmente de “faixa”.

Já a palavra “Dogi” leva-nos à derivação “judogi”, que é a vestimenta usada para a prática do judô, tal qual explicado no trecho a seguir:

“O kimono que é utilizado para a prática de artes marciais em japonês se chama “Dogi” que significa ‘vestimenta utilizada no caminho escolhido’”. Por isso que a maioria das artes marciais tem os seus kimonos com ‘dogi’ ou ‘gi’ no final. Karate-gi, aikido-gi e seguindo essa sequência, o kimono de judô é chamado de judogi, a contração de “judo + dogi”, o que traduzindo livremente seria algo como “uniforme utilizado para a prática do caminho suave”.

Trazendo para a familiaridade do jiu-jitsu, temos então o “Gi” (Gi/NoGi), que se fosse usada dentro da lógica acima mencionada deveria se chamar “jiu-jitsu-gi”, que ao ser traduzido levaria a um significado bem apropriado: “uniforme usado para a prática da arte suave”. Olha que lindo!

Bem, voltando à história das adaptações pelas quais passaram os kimonos até chegarem às lutas, é bem difícil traçar um caminho exclusivo para o kimono do jiu-jitsu, uma vez que para cada modalidade houve uma forma de desenvolver a vestimenta, ou seja, cada arte marcial tem a sua própria história que só pode ser contada do ponto de vista da luta a que se refere. Traduzindo, não é possível discorrer sobre as mudanças e definições de características que ocorreram nas roupas de luta de modo geral, porque o kimono do karatê tem uma história, do tae-kwon-do tem outra, do aikidô tem outra e assim por diante.

Entretanto, durante o processo de pesquisa para este artigo foi possível observar que as histórias do kimono do judô e do jiu-jitsu estão no mesmo tronco histórico e assim o são por conta da própria origem e derivação de cada um e das necessidades e especificidades das duas lutas e, neste caso, vejamos o que fala a história:

“É sabido que o jovem Jigoro, estudou várias ramificações do tradicional Jujutsu. Esta modalidade não tinha uma roupa específica para o treino, e comumente era praticada com o kimono mesmo. O kimono era uma roupa comum do dia a dia do japonês naquela época, e os que eram usados nos treinos de jujutsu eram basicamente compostos de um casaco comprido, sem mangas ou com mangas curtas; o Obi que era uma faixa larga para amarrar o casaco e para a parte de baixo uma hakama (um tipo de calça larga até os pés) ou um gobatake (uma espécie de bermuda que ia até as coxas).”

Historicamente as duas lutas eram praticadas com roupas comuns ou casacos que dificultavam bastante a proteção do praticante e execução de golpes. Não havia tanta importância para a faixa como se tem hoje, ou seja, qualquer pedaço de tecido servia para “fechar a roupa”. E foi Kano quem primeiro desenvolveu uma roupa adequada à prática e desde então os tecidos, os desenhos, a forma de confeccionar os kimonos não pararam mais de evoluir até o que conhecemos e usamos hoje.

Assim, as semelhanças históricas entre os modelos usados no judô e no jiu-jitsu perpassam ainda atualmente pela cor dos tecidos, o padrão do trançado, a costura e detalhes como gola e acabamento. A diferença percebida se dá principalmente pela largura da vestimenta (a do jiu-jitsu é mais justa no corpo) e, em alguns casos, o kimono do jiu-jitsu é mais grosso.

Bem, esta humilde redatora precisou montar este artigo (como se monta uma colcha de retalhos) a partir da história geral do kimono no Japão para assim chegar às mudanças iniciadas por Jigoro Kano para o kimono do judô e, consequentemente do jiu-jitsu, porque uma história se mistura com a outra.

Espero que gostem, porque eu amei saber mais sobre a origem e evolução desta vestimenta tão interessante e que explica tão bem o amor que temos pelos nossos “uniformes usados para a prática da arte suave”.

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