O que estou descobrindo com a faixa azul


Este é o meu primeiro ano sendo faixa azul. E uma coisa que o jiu-jitsu me ensinou é que os desafios dessa arte são sempre constantes, sempre novos. Fiz uma retrospectiva do meu primeiro dia de aula na faixa branca: perdidinha, sem entender o que acontecia com o meu corpo e como que se movimentavam tão rápido, enquanto eu só ficava ali tentando me proteger de tomar um armlock (só tentando mesmo, e a sensação é de que era impossível entender o que acontecia nos rolas).

Depois de dois anos como faixa branca, me lembrei do primeiro dia e comparei com o que eu tinha me tornado: ainda uma faixa branca, mas com uma melhor consciência corporal, apesar de obviamente, ter muito (muito mesmo!) o que evoluir; e na sequência, graduei e peguei a minha faixa azul.

Percebi a diferença que me fez pegá-la: acredito que ser faixa azul é aquele momento que você realmente começa a engatinhar no jiu-jitsu. Você passa agora a ter mais consciência do seu corpo e é a partir daí que vai aprender a lapidá-lo na arte suave. Na fase da faixa branca, nós pensamos que o desafio mais difícil (o de entender o que está acontecendo quando estão tentando te finalizar haha) é vencido e que não terá desafio maior (santa ingenuidade!). Percebi que me enganei e muito sobre isso. A sensação é que, a partir da faixa azul, os desafios serão mais intensos e tão legais quanto na época em que você era um faixa branca.

O nervosismo no primeiro campeonato de azul, pelo menos pra mim, foi o mesmo do meu primeiro campeonato de branca. E eu, honestamente, achei que não fosse sentir esse mesmo nervoso. O bacana disso – acredito eu – é que em cada fase de desafios de cada faixa, você lida de um modo diferente. São oportunidades diferentes que demonstram o seu grau de maturidade no tatame e isso também reflete em nossa vida, em nossa postura cotidiana.

Quanto aos movimentos, você vai começar a distinguir melhor – e ainda assim, vai se confundir muitas vezes, mas agora, com a consciência corporal um pouco mais evoluída – e é uma sensação muito interessante de sentir. Até mesmo do ponto de vista reflexivo sobre o quanto não temos consciência do nosso corpo e da nossa capacidade de adaptá-lo às mais diversas situações. Inclusive, essa consciência corporal que o jiu-jitsu me ensina cada dia a ter e a aprimorar, é algo que eu não sabia o que era até ter começado a arte suave. Fico, inclusive, imaginando a consciência de corpo que um faixa preta tem e ainda assim, continua aprimorando cada vez mais, porque o bacana do jiu jitsu é que ele é constante nas evoluções e nunca fica estagnado.

Nunca esqueci o que meu professor disse uma vez: um faixa branca é um recém-nascido, e o faixa azul é um bebê de três anos. E olha, com o aperitivo que eu estou tendo nesse meu primeiro ano de faixa azul, sobre a consciência de mim mesma que começa a despertar, fico ansiosa e empolgada para evoluir cada vez mais e buscar sempre conhecer meu corpo da melhor forma possível. A sensação é única e muito agradável, pelo que começo a perceber: que com o tempo, a dedicação e os treinos, a tendência é melhorar!

 

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