O jiu-jitsu e a sensualidade: sobre exposição e tradição


jiu jitsu e sensualidade

Ter um corpo bonito, definido e saudável nos remete inevitavelmente à Grécia Antiga, onde ser esbelto, além de conhecedor da música, artes e política traduzia o modo de ser e existir desse povo que deixou como legado o culto à beleza e à forma física bem trabalhada. Atualmente a beleza é um mercado que movimenta cifras bilionárias em produtos e serviços e talvez nem Afrodite, deusa grega da beleza, do amor e da sensualidade fosse capaz de acreditar no que se faz e no quanto se gasta hoje para ser belo.

Neste artigo iremos abordar sobre os ensaios sensuais que algumas beldades adeptas do jiu-jitsu fizeram e quais os cuidados que se deve ter se você é um dos que pretende fazer algo assim. Mas, antes de tudo é importante reconhecer que jiu-jitsu não poderia ficar de fora do mercado da beleza, pois é público e notório que a prática traz benefícios físicos imensuráveis aos seus seguidores e por esta razão é cada vez mais comum a exposição destes em fotos e vídeos, seja em nível profissional (revistas, sites, comerciais, fanpages), seja de forma independente para, por exemplo, postar nas redes sociais.

E basta procurar na internet para vermos uma infinidade de ensaios tendo os praticantes de jiu-jitsu como protagonistas, mas se por um lado o lutador tem motivos para exibir o shape com todo orgulho, há uma questão que abre espaço para discussões infinitas, que é o uso de itens específicos do jiu-jitsu para compor o ensaio, como o kimono, a faixa, o tatame. Há quem defenda que é uma enorme falta de respeito com a arte e há quem ache isso um processo natural desde que feito sem exageros.

Em modalidades como o fisiculturismo a exibição dos ganhos físicos é quase uma regra para mostrar a evolução dos adeptos. Porém, neste esporte os itens que compõem os ensaios não perpassam por questões milenares como as que fazem parte do jiu-jitsu. Então, conclui-se que o ponto de discussão não está no fato de mostrar o corpo, mas de como mostrá-lo.

Ora, é importante ter atenção quando bater o desejo de fazer um ensaio usando cenários e roupas que remetam à arte suave para não extrapolar os limites do respeito e da tradição tão inerentes ao jiu-jitsu e a todas as artes marciais, até porque não há mal algum em mostrar o belo desde que haja a consciência de que uma coisa é fazer um ensaio sensual, outra é ser vulgar. Assim, se for optar por um ensaio tendo a academia, o kimono, a faixa como itens de composição, pense sempre nos que vão ver as suas fotos, pois são seus companheiros de treino, outros praticantes de outras equipes, simpatizantes diversos e seus familiares, portanto, optar pelo artístico e preservar a imagem do esporte que você pratica são atitudes fundamentais para o sucesso do ensaio.

Um ponto importantíssimo é a questão dos “dois pesos, duas medidas” quando se trata, principalmente, de fotos sensuais das meninas do jiu-jitsu. Quando algumas lutadoras de uma determinada academia (entre elas a Kelly Key) se expuseram em ensaios sensuais de kimono para as lentes do fotógrafo William Burkhardt houve manifestações de todo tipo, de elogios a pedidos de casamento, mas também de comentários totalmente fora de contexto. Outro exemplo vem da bela Kyra Gracie que abalou o mundo do jiu-jitsu quando fez um ensaio sensual no tatame usando um kimono rosa, que por sua vez foi muito bem recebido, talvez por se tratar de um membro da família fundadora do jiu-jitsu brasileiro.

Mas, convenhamos, em ambos os casos é incontestável o bom gosto dos ensaios e quem sabe a atitude delas tenha servido de mola propulsora para levar muitas meninas para o tatame movidas pelos ganhos físicos que o jiu-jitsu pode lhes proporcionar. E para os que mantêm uma visão adversa sobre o tema e não enxerga a “arte na arte” é bom deixar claro que todos nós temos direito de opinar, o que não significa que possamos engolir os argumentos e soltar palavras de intolerância e preconceito quando não concordamos com algo, pois isto sim fere a tradição e a imagem que se espera para um praticante ou simpatizante do jiu-jitsu.

No mais, é certo que o tempo passa mais rápido do que gostaríamos, a gravidade é implacável e a velhice chega para todos, mas os registros das conquistas físicas com o jiu-jitsu são para sempre, assim como são eternas as esculturas dos gregos e seus corpos trabalhados no mármore, nus e expostos em várias galerias mundo afora. Outra questão é que muitos atletas ganham dinheiro quando fazem ensaios profissionalmente, o que é muito bem vindo em tempos de patrocínio escasso.

Por fim, lembremos que o jiu-jitsu é uma arte que atravessa os anos se adaptando e se reinventando e seus praticantes e o meio em que estão inseridos são partes indissociáveis deste processo, portanto, que sejamos menos intolerantes e aprendamos a apreciar a arte com tudo que ela tem pra oferecer, inclusive com a satisfação de carregar um belo corpo esculpido por muito treino, suor e persistência.

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