Ser vaidosa e treinar jiu-jitsu: é possível?


Quando entramos em um ambiente diferente do que já estamos acostumados, muitas vezes nos deparamos com escolhas que precisamos fazer. No esporte é assim e a vaidade é vista como uma dessas escolhas. Não quer dizer que você precisa abrir mão de tudo que fazia antes para treinar jiu-jitsu e nem deixar de ser vaidosa, mas fazer algumas adaptações é importante.

O jiu-jitsu é um esporte de contato e a gente precisa se atentar a algumas coisas, muitas vezes até por segurança (sua e de quem treina com você). A questão da unha é uma delas e sendo homem ou mulher, você vai precisar manter a sua sempre cortada. Pois bem, essas regrinhas de segurança são básicas, mas minha intenção aqui é outra. Como entender que essas adaptações podem ser difíceis para algumas pessoas e como podemos ajudar a galera nova a se adequar?

Temos todos os tipos de pessoas no jiu-jitsu. As meninas que tinham unha grande e as que nunca tiveram, as que gostam de fazer tratamento no cabelo, as que passam maquiagem todo dia e as que nem ligam para isso… O mesmo com os meninos. Alguns chegam de cabelo grande, às vezes de brinco e até com a unha grande. Mas, você não precisa abrir mão totalmente do que gosta para treinar, até porque isso acaba afastando algumas pessoas. A Monique Elias, faixa preta da Alliance, já contou para a May Munhos aqui que sempre foi muito vaidosa e continua sendo. Ela disse que o jiu-jitsu a fez adaptar algumas coisas, mas que é possível dar conta dos dois dentro do possível.

Eu nunca liguei muito para fazer unha, sair maquiada no dia a dia ou fazer escova no cabelo. Até porque já treinava handebol antes do jiu-jitsu, então há muitos anos que minha unha é bem pequenininha e que estou acostumada a ficar com cabelo suado e quebrado, ter marcas roxas no corpo e por aí vai. Então, para mim, não foi tão difícil a adaptação nesse sentido quando comecei no jiu-jitsu. Sim, os roxos aumentaram e às vezes chamam atenção do pessoal na rua rs… Mas, faz parte. Porém, eu sei que para muitas meninas é mais difícil se acostumar com isso e ter que abrir mão de coisas que gosta para investir em um esporte que está começando a conhecer.

Além de questões como cabelo e unha, há também outras como esmalte, maquiagem e coisas desse tipo. A gente sabe que maquiagem, por exemplo, dependendo do tipo, pode ir saindo quando a pessoa começa a suar e sujar o kimono (o seu mesmo ou de quem está treinando com você). Com tinta de cabelo pode acontecer isso também. Ninguém quer que isso aconteça, não é?

Mas, vamos ao ponto chave, o meu objetivo principal aqui, que é falar sobre uma coisinha chamada empatia. Muitas meninas vão do trabalho direto para o treino e a correria não deixa que ela tire a maquiagem. Ou as que estão começando a treinar nem tem essa noção, o que é perfeitamente compreensível. Então, antes da gente começar a nutrir algo de ruim por uma pessoa, que tal tentar conversar? Digo isso principalmente com as meninas novas. É um ambiente muito diferente e elas precisam de nós, outras mulheres, para dar toques e ir ensinando mais sobre o universo do jiu-jitsu.

Uma dica bacana que a Samanta (nossa colunista também) dá é: leve um demaquilante na bolsa. Dá para chegar do trabalho, por o kimono, amarrar o cabelo e tirar a make, evitando de manchar o kimono dos seus parceiros de treino. Se você ver uma amiga sua de treino no tatame com maquiagem, ofereça o demaquilante a ela. Ela vai entender o recado.

Vejam bem, uma coisa é a pessoa que já treina há bastante tempo e continuar com a unha grande ou ir treinar maquiada (e acabar sujando seu kimono) quando teve a oportunidade de tirar. É uma situação diferente, mas que também só vai ser resolvida se alguém conversar com essa pessoa, seja você ou os professores.

O que eu quero passar é que, apesar do jiu-jitsu te exigir muito e ser muito associado ao universo masculino, você não precisa deixar de ser feminina para treinar. Você pode ser o que quiser, aliás. Mas também precisa saber que vai sim precisar fazer algumas adaptações, mas isso tudo vale a pena! Quero também ressaltar, dessa vez para as mais graduadas, que é importante que a gente acolha as meninas que estão chegando e explique para elas o funcionamento de tudo. Muitas vezes elas não fazem por mal. Precisamos umas das outras e o jiu-jitsu feminino vai crescer cada dia mais se a gente se unir cada vez mais. Vamos juntas!

Deixo aqui um texto bem legal do BGM a quem interessar 🙂 – A arte do cabelo

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