O despertar da Força


A ameaça fantasma

Segundo a OMS, entre os jovens de 15 a 29 anos, o suicídio foi a segunda maior causa de morte, no mundo, em 2015. A progressão da depressão é uma das causas de tantos suicídios.

Hoje a depressão ainda não é vista pela população geral como uma doença que precisa ser tratada, e esse é um dos motivos que faz com que as pessoas que estão doentes fiquem cada vez mais doentes até um ponto irreversível.

Estamos perdendo nossos jovens porque não damos importância às coisas que os afligem. Taxamos como frescura, minimizamos o sentimento do outro ao invés de tentar entender e ajudar, ao invés de aceitar que a depressão é uma doença que necessita de atenção e tratamento, por vezes, até mesmo medicamentoso.

Uma nova esperança: o tatame

Hoje eu estou com meus 30 anos, mas houve um tempo que eu não imaginei chegar até aqui. Quando eu era mais nova eu fiquei bem doente. O fantasma da depressão bateu “pesadão”, e como muitas pessoas, eu também achava que era frescura, que iria passar, mas não passava. Como eu vi que estava demorando muito para a frescura passar eu decidi procurar orientação “só para garantir!”

Diagnosticada, fui orientada a procurar um tratamento psicológico e iniciar com os famosos, e terríveis, “tarjas pretas”, mas como eu era uma acadêmica da área de saúde, sabia que se começasse a tomar os remédios eu, provavelmente, teria que tomá-los para o resto da vida. Não queria isso.

Comecei a pesquisar alternativas e muito do que eu li defendia que o esporte deveria ser parte importante no tratamento da depressão. Os pesquisadores ainda não chegaram a um consenso do porquê, mas eles têm certeza que funciona. Então eu decidi tentar.

Eu estava mal, então o esporte era minha última esperança. Determinada a não tomar remédios comecei a praticar boxe. Era muito bom, realmente me ajudou e na academia que eu treinava eu acabei conhecendo o jiu-jitsu.

Eu sempre observava curiosa, achava interessante, mas como não tinha nenhuma menina e era um esporte de (muuuuuito) contato físico eu nem cogitava a possibilidade de tentar, até que uma das colegas do boxe me pediu que fosse fazer uma aula experimental para ela não ter que treinar com os rapazes (rs) e então eu fui. Graças a Deus!

O jiu-jitsu casou perfeitamente comigo. Antes de começar a praticar me lembro de ter crises terríveis de choro, sem motivo, do nada, e sentia uma tristeza enorme acompanhada de uma falta de vontade de permanecer no mundo. Depois que eu comecei a treinar as crises foram diminuindo, os pensamentos “nada a ver” pararam de acontecer, minha mente trabalhava bem melhor e eu estava focada em aprender as técnicas e evoluir.

Era uma sensação tão boa! No momento em que entrava no tatame não pensava em nada além do jiu-jitsu, e quando estava fora a mente não ficava à toa, estava sempre pensando no jiu-jitsu. São 7 anos que eu posso dizer que estou vencendo a depressão, só com jiu-jitsu.

Claro que tive a ajuda da família, dos amigos, mas o jiu-jitsu foi fundamental. Ele não fortaleceu somente meu corpo, mas principalmente a minha mente. Aprendi a lidar com pressões (e que pressões! Foram vários 100kg), aprendi a ser mais responsável comigo mesma, a lidar com as derrotas, e se eu listar aqui todos os benefícios que o jiu-jitsu me trouxe sairá um livro maior que toda a coleção de STAR WARS (rs).

Claro que os dias de “bode” ainda acontecem, mas hoje não fico presa na cama, sem vontade sair de casa, chorando e pensando besteiras. Agora eu posso dizer que o jiu-jitsu me ajudou a ficar feliz, a ser feliz, e ser uma pessoa bem melhor. Agora eu penso que quero viver mais muitos anos dentro do tatame.

Que a força esteja com você!

Espero que este texto chegue a pessoas que ainda não treinam e que estão passando por um momento difícil desses. Que elas saibam que as atividades físicas, e eu posso dizer, principalmente, o jiu-jitsu podem ajudar.

No tatame, tenha certeza de que sua mente não ficará vazia em nenhum momento, e eu prometo que você ficará com a mente e o corpo bem mais fortes, ficará confiante e com a autoestima renovada, e fará grandes amigos (talvez os melhores da sua vida!), além de várias descargas de endorfinas, enfim, você ficará feliz!

Vem para o tatame! May the JIU be with you! OSS!

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Comments 2

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  1. Bom dia Natalia. Li seu texto sobre a depressão. Muito identificada com sua narrativa. Também me vejo nesse estado de achar frescura o que possuo, a ponto de também procurar ajuda psicológica e ser diagnosticada com depressão. Ja pratico jiu jitsu há 2anos e a ajuda só fui buscar um mês atrás. Pode ainda me sinto desanimadíssima. Sem vontade de nada. Ainda indistoem ir sos treinos, por vezes empolgada, outras apenas para não falta. Mas, me sinto deslocada, como se lá não fosse meu lugar, não o tatame, mas as pessoas. Pareço estar numa casa que me deixou entrar, porém não da minha família. Tentando driblar esses sentimentos e essa apatia. Também. Espero não precisar de medicamentos. Seu texto foi excelente. Creio que muitos como eu vão se identificar. Obrigada. Abraço.

    1. Erica, é difícil mesmo! Sair de casa é o mais difícil! Mas mesmo nos dias q vc está indo só pra não faltar vc já venceu! Vá é interaja com os amigos… adicione no Facebook e integram outras pessoas do jiujitsu, me add lá @nataliavbrito. Conheça outras academias na sua região. Faça mais amigos no esporte, mesmo longe de casa. No Jiu a gente tem amor a equipe, mas hoje somos todos uma família. Adversários somente nas competições, mas fora somos unidos pra fortalecer o esporte.
      Mas lembre: continue indo. Uma Vitória de cada vez. Devagar e sempre! E se precisar de medicamentos, tome! Cuide de vc! Não é frescura não! Abraços! Força!
      Conta com a gente!

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