Atleta da Semana – Cássia Paixão


Cássia Paixão Jiu Jitsu

Fala galera!

Essa semana conversamos com a Cassia Paixão, faixa roxa da Equipe Robson Moura, campeã das seletivas de Abu Dhabi em Manaus desse ano (2017) e no Miami Open da IBJJF. Além disso, nossa sinistra também estreou com medalha de bronze no Panamericano e no Mundial da IBJJF, entre muitos outros títulos que já possuí. Atualmente ela está se preparando para o Mundial Master da IBJJF de 2017 em Las Vegas.

E para conquistar tudo isso ela nos contou que treinava todos os dias, porém recentemente se mudou para a Florida (EUA) e ainda não conseguiu regularizar a rotina de treinos como gostaria. Sobre sua alimentação, ela disse que não faz dietas, mas não come nada de açúcar e refrigerantes, além de evitar ao máximo todos os tipos de industrializados, então ela mesma prepara todos os seus alimentos.

“Até que sou muito boa cozinheira… Brincadeira! Mas tento comer de forma saudável para minha própria saúde, apenas.” Com isso, já emagreceu 10kg desde que voltou a treinar jiu-jitsu, há três anos. Ela precisou pausar os treinar por quase 5 anos e desde então decidiu mudar a alimentação pela preocupação com a saúde.

Ela compartilhou com a gente sua experiência com a grave lesão que sofreu em 2010 no joelho por causa do cruzamento de fora para dentro de uma adversária em cima da sua perna, o que a impediu de andar corretamente por 6 meses, além de 3 meses de fisioterapia até poder voltar aos treinos. Ela disse que nunca gostou de musculação e por isso sempre treinou apenas o jiu-jitsu, até que em 2014 decidiu que gostaria de voltar a competir. Essa decisão trouxe também a vontade de emagrecer.

“Precisava emagrecer pois eu estava pesando 76Kg e mal conseguia fazer aquecimento que já parecia que eu estava disputando a São Silvestre. Então acabei mudando de cidade e de academia, e decidi começar correr pra ver se o meu fôlego aumentava. E deu resultado.”

Pódio Mundial IBJJF faixa roxa médio
Pódio Mundial IBJJF faixa roxa médio (Reprodução: IBJJF)

Voltando as competições, ela participava de tudo o que podia e quanto mais ganhava, mais se empolgava. Então em 2016 na Seletiva de Brasilia de UAEJJF, no final da luta da categoria, a adversária pulou na guarda e caiu em cima do joelho dela.

“Já não consegui mais nem sair do chão de tanta dor. Ganhei a luta e fiquei basicamente 5 meses sem treinar nada, de agosto ate dezembro, eu estava com diversas lesões nos dois joelhos, as mesmas lesões nos dois joelhos, minha vontade era de arrancar o Joelho fora e colocar um novo no lugar. Até que em Dezembro conheci um ortopedista e um fisioterapeuta que foram de longe uma das melhores pessoas que já passaram na minha vida.

Dr. Carrique e o Fisio Cadu, ambos do Rio de Janeiro. O Dr. Carrique fez aplicação de PRP (Plasma Rico em Plaquetas), nos meus joelhos e depois fiz 10 seções de Fisioterapia, o que acabou salvando minha vida e eu acabei tendo apenas um mês para me preparar para a seletiva e para o Panamericano. Hoje eu super indico esses dois profissionais pois em questão de 20 dias, coisas que outros médicos que viram minhas ressonâncias queriam meu operar, o Dr. Carrique com sua máxima técnica e eficiência, me recompuseram e me fizeram voltar a treinar jiu jitsu 100% outra vez.”

Atualmente suas pretensões para o jiu-jitsu são grandes, mas por enquanto é tudo segredo! “Eu já tenho 31 anos, estou competindo no adulto e só tenho lutado com meninas de 18 a 20 anos, minhas pretensões são grandes e sei que vou alcançar todas elas.”

E falando de coisas boas, como de costume, perguntamos sobre seus golpes prediletos e segundo ela, não tem nenhum! “Treino muito estrangulamento, apenas por uma questão lógica: em campeonatos lutamos com mulheres e nós mulheres somos muito flexíveis, em geral mais que os homens, então as mulheres defendem muito facilmente te articulações como, Kimura, Americana, Omoplata e Armlock. Então por essa questão lógica, acabo dando preferência nos estrangulamentos, mas não tenho predileção por nenhum em específico. Tento treinar de forma variada, até para não ficar com um jogo marcado.”

Ela nos contou que começou a treinar jiu-jitsu em 2004 aos 18 anos de idade. Assim como muitas pessoas, antes de conhecer a fundo a arte suave ela também achava um esporte invasivo e agressivo pelo contato físico entre homens e mulheres, mas decidiu assistir um treino e foi convidada pelo mestre para uma aula experimental. Sem preconceitos ela decidiu tentar, e adivinhem: amou!

“(…) um dia decidi assistir à um treino e o mestre na ocasião me chamou para um treino experimental, decidi fazer no dia seguinte e amei… Mas confesso que só comecei a praticar pois existiam 3 meninas no tatame nas aulas que eu frequentava, então me sentia mais a vontade com elas. Foi assim minha primeira experiência no Jiu-jitsu.”

E essa foi a primeira coisa que listou quando perguntamos sobre as maiores mudanças que o jiu-jitsu trouxe em sua vida, o preconceito, confiança, tranquilidade e de brinde uns quilos a menos!

“Sempre achava que o Jiu-jitsu era uma arte marcial que deveria ser praticada apenas por homens, e de repente descobri que eu poderia treinar também. Esse sem dúvida foi o ponto crucial. Depois que decidi realmente competir firme de 3 anos pra cá, isso me ajudou a ser mais confiante, mas calma e com toda certeza me fez emagrecer também (risos).”

Ela falou também sobre a dificuldade das mulheres no esporte com relação ao assédio, preconceito e o machismo que ainda encontramos em muitas academias, um tema bastante abordado por nós aqui no BGM.

“Ainda encontramos nas academias, muitos marmanjos que não aceitam “perder” no treino para mulheres e acabam muitas vezes machucando ou rolando de forma agressiva, sem necessidade. Isso ainda acontece e muito. Temos que estar sempre provando que temos condições técnicas e favoráveis para treinar muitas vezes de igual pra igual. Isso nem de longe chega a ser um feminismo, mas nós mulheres temos que estar o tempo todo provando que somos boas de técnica. Infelizmente.”

Por viver em uma família predominantemente masculina, onde é a única mulher, ela precisou quebrar paradigmas ao começar a treinar e diz que cuida bastante da aparência, afinal não é porque pratica jiu-jitsu que irá andar desleixada ou com cara de que vai matar alguém (risos). Ainda completa dizendo que é muito feliz assim e que o maior preconceito além dos habituais que nós mulheres encontramos, é o de subestimarmos à nós mesmas, quando duvidamos da nossa capacidade de chegar cada vez mais longe dentro da nobre arte suave.
“Ninguém na minha família faz qualquer tipo de arte marcial. Meu pai e meus irmãos nunca foram ver um campeonato meu. Lembro que quando eu comecei a lutar e treinar, meu pai virou pra mim e disse: minha filha, você é uma princesa, não deveria lutar. Hoje eu digo que sou uma princesa que veste kimono.”

Finalizando com chave de ouro, ela nos deixou aquele recado clássico do BGM que nos motiva a seguir em frente:

“Eu me apaixonei pelo jiu-jitsu porque descobri que era algo que eu conseguia fazer. Depois que entrei de verdade me apaixonei ainda mais, pois percebi que no jiu-jitsu sou completa. Quando falo completa digo no sentido amplo, pois aqui tenho atividade para o corpo e para alma. Fiz muitos amigos, conheci lugares incríveis, e aprendi que no jiu-jitsu você nunca perde. Ou você ganha ou você aprende, e por mais cliché que essa frase possa soar, ela realmente diz tudo.

Quando a gente entra no tatame nossa vaidade ela precisa estar do lado de fora. E até para aqueles que não irão competir que estão ali apenas por gostarem e por estarem querendo praticar uma atividade física. No tatame estamos todos absorvendo conhecimento onde o mais graduado ensina o menos graduado e ambos crescem juntos. Jiu-jitsu me ensinou a ter disciplina, me ensinou a ter objetivos, me ensinou a ser resiliente.

Se você quer se exercitar o tatame é o lugar certo, se você quer competir o tatame está ali pra isso, se você quer fazer amizades verdadeiras, o tatame te dá isso de graça, se você quer saber seus limites, não existe nada mais desafiador do que o tatame. Então não pense duas vezes se jogue e já saia fazendo um rolamento. Dentro do Tatame não existe melhor ou pior, existe apenas aqueles que estão a mais tempo e aqueles que estão começando. Cada um tem o seu tempo, e pode chegar onde quiser, basta ter vontade, conhecer seus limites e vencer seus próprios desafios e novamente o tatame está ali pra isso. Sendo assim, não pense duas vezes antes de começar: apenas comece. Oss.”

Cassia, nós do BGM agradecemos sua atenção, disponibilidade e simpatia, e desejamos muitas conquistas para esse ano!
Oss

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