Rivalidade entre atletas


Segundo Thomas Hobbes, o homem em seu estado natural age por instinto, dentre outras características. E devido a isso poderia viver em uma guerra de “todos contra todos”. E para que isso não acontecesse de fato, era necessário a ação do Estado para que através do mesmo, as relações sociais fossem organizadas e pacificadas, seria assim o tão conhecido “contrato social”. Mas para Hobbes, o Estado deve ser forte, para que não haja conflitos entre os homens. Assim, podemos fazer uma analogia relacionando o pensamento de Hobbes com as relações dentro do tatame, ou seja, para que haja respeito e ordem no dojô é necessário que haja um líder (no caso o Mestre/Professor), então todos devem obedecer e seguir os ensinamentos dele, diminuindo assim a possibilidade de haver algum conflito entre os atletas.

Uma das principais regras jiu-jitsu é o respeito ao próximo , sendo ele colega de treino, ou até mesmo atleta de outra equipe. É inegável que o cumprimento dessa regra é fundamental para que haja harmonia nos treinos da equipe, em campeonatos ou treinos abertos, onde diversos atletas podem interagir com outros, mesmo sendo de equipes diferentes. Todo atleta, não importa qual seja o esporte praticado por ele, sempre tem afinidades com outros atletas, sendo eles competidores ou não. Quando começamos a treinar é natural conhecermos pessoas novas, e por consequência e devido ao tempo de convivência, passamos a ter afinidade com algumas pessoas, no entanto, outras são um pouco “fechadas a fazer novas amizades” ou têm alguma “resistência” para ensinar algo ou auxiliar os novatos, e às vezes acabam levando muito a sério isso, e de alguma forma vai começando a gerar um mal-estar no tatame.

Quando chegam novatos para treinar na academia, geralmente eles são bem recebidos por boa parte dos alunos, mas há alguns que não fazem o mesmo, por se sentirem inseguros e acharem que de certa forma os novatos irão tomar seus lugares, ou poderão se destacar mais que eles (os veteranos).  E depois de um certo tempo, caso os novatos comecem a obter bons resultados nos treinos ou nos campeonatos, pode ocorrer uma certa “disputa de ego” entre alguns atletas até dentro da mesma academia, e essa disputa pode ser agravar quando dois atletas possuem a mesma graduação, afinal uns podem pensar que são “imbatíveis”. Muitas vezes não conseguimos perceber tão facilmente esse comportamento, porque ele também pode ocorrer de forma velada, mas quem passa por tal “conflito” sabe como realmente é ruim passar por isso. Algumas atletas relataram que já viram graduados comparando seus treinos com os treinos dos novatos, ficavam apenas criticando e não se disponibilizavam para ajudá-los. Mas esses atletas após presenciarem tal situação, resolveram usar os seus conhecimentos e técnicas para ajudarem e incentivarem os novatos que entram na academia.

Uma atleta nos relatou que tiveram a ideia de realizar um treino feminino em Palmas-TO, por terem poucas academias na cidade e a presença feminina ser um pouco reduzida. Tiveram como objetivo desenvolver a interação entre as atletas, o incentivo/motivação para participarem de campeonatos por lá e a redução dos atritos entre as meninas de outras academias. Conseguiram obter um resultado satisfatório, devido ao empenho das atletas e professores/instrutores para que o treino aberto acontecesse. A partir disso, ficou comprovada a importância e eficácia dos treinos abertos, em especial os treinos femininos. No jiu-jitsu você tem a chance de interagir com atletas da mesma equipe, e com atletas de equipes diferentes também, esse é um dos inúmeros benefícios que esse esporte nos traz.

Vale a pena ressaltar que casos de rivalidade não ocorrem apenas entre novatos e veteranos, mas ocorrem também entre somente veteranos, e quando essa rivalidade é levada muito a sério a ponto de um dos dois quererem resolver os problemas no tatame, pode acabar causando um lesão indesejada durante o rola. Há veteranos que possuem “richas” antigas, e que se prolongam durante meses ou até mesmo durante anos.

Para que o tatame tenha um estado harmônico durante os treinos, todos os atletas podem colaborar com o próximo, ajudando aqueles que têm dificuldade, começando a incentivar a interação entre os praticantes da arte suave. Ajude o seu colega de treino, afinal ele é uma das pessoas que fazem parte do seu processo de aprendizado.

Então fica uma dica para todos os atletas veteranos/mais graduados, procurem ajudar e motivar os novatos/faixas brancas. E se você começou a treinar há pouco tempo, não desista dos seus objetivos e busque aprender com os graduados que estão ao seu redor.

E você, já passou por alguma situação parecida? Conte pra gente.

Oss.

 

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