Lidando com as derrotas


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Há um trecho de uma música que eu carrego como lema para a minha vida, principalmente depois que comecei a treinar jiu-jitsu. É uma letra do Jorge Ben, que diz assim:

“(…) Pois nesta vida de perde e ganha, ganha quem sabe perder

Quem sabe perder

E perde, perde, quem não sabe ganhar… Por isso você

Precisa aprender a jogar

Em vez de ficar cochichando olhando o bonde passar”

Começo o texto hoje por esse trecho, porque pela primeira vez, neste mês, competi com a minha faixa azul. Muito nervosismo, muita expectativa. Perdi por pontos, na primeira luta. Claro, ninguém é imune às chateações por ter perdido. Ninguém gosta de perder. Mas, às vezes, nos punimos demais por uma derrota. Só que isso não é ser justo com você mesma. Saber encarar uma derrota, é o que faz toda a diferença para o seu treino, para você, para a sua vida. Como você lida com uma derrota? Se você se pune e começa a pensar mil coisas negativas sobre si, chegou a hora de rever seus pensamentos. A derrota é uma senhora poderosa e carregada de ensinamentos. Ela te mostra suas falhas, mostra os seus erros e também te ensina a reconhecer que o outro pode ser melhor que você naquele momento, mas isso faz parte. Sempre vai haver alguém melhor que você e esse alguém pode ter muito a te ensinar: como por exemplo, onde não errar mais, nos próximos campeonatos. Até que um dia, você pode chegar lá e ser a melhor também.

Eu parabenizei minha oponente e inclusive torci por ela, quando perdi. Fiquei chateada, porque eu esperava mais de mim. Erros por vezes bobos, nervosismo atrapalhando, uma boa oponente, são aspectos que me mostram no que preciso melhorar. Dá aquele pequeno nó na garganta sim, não tenho como negar. Mas, o próprio jiu-jitsu me ensinou muito sobre esse assunto de “derrota”. Eu valorizo as minhas, porque sei mais dos meus erros com elas, do que com as minhas vitórias – digo isso no sentido literal mesmo; quando eu perco, lembro de tudo muito mais intensamente do que quando ganho. Aprendi a não me punir tanto e a usar cada derrota ao meu favor: que seja um estímulo para eu treinar ainda mais. Que seja um estímulo para eu me aprimorar ainda mais. Que com cada derrota, eu aprenda a lidar com o meu nervosismo, e aprenda a evitar as falhas. Saber perder é tão difícil quanto ganhar.

Eu quis escrever esse texto para dizer: perder faz parte. É clichê, não é? É sim. Mas faz parte. Também escrevi para enfatizar que o trecho da música de Jorge Ben, lá no comecinho do texto, é um fato grandioso: trabalhe o seu jiu-jitsu quando for derrotada e não ligue jamais se alguém apontar suas falhas no aspecto negativo – porque apontar as nossas falhas para nos ver crescer, é sempre muito bom, obrigada! Geralmente, essas pessoas estão mais preocupadas em “ficar cochichando olhando o bonde passar”. Olhe sempre para você mesma, olhe sempre para as suas e somente suas falhas e conquistas e isso já será um bom trabalho. Outra coisa, valorize ambos: a derrota e a vitória, porque todas elas têm muito o que agregar para nossas vidas. E não se esqueça do principal: de reconhecer que você, ao ser uma das poucas pessoas com coragem de dar a cara pra bater, saiu da zona de conforto e enfrentou o que muitos tentam evitar ao máximo, que é competir, no meio de um monte de gente, com aquele friozinho na barriga que só a gente sabe. Não desista. Persista. Porque uma das coisas principais do nosso jiu-jitsu é sobre isso mesmo: persistir, até aprender. Não é? Uma hora o resultado vem e você vai lembrar de todas as dores e etapas desse processo, com orgulho de si e com o pensamento de que valeu muito a pena.

Bons treinos!

Leia também: Sobre ganhar e perder

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