Atleta da semana – Géssica Fong


Fala galera!

Esta semana conversamos com a atleta Géssica Fong, faixa roxa da Equipe Checkmat Recife.

Ela nos contou que começou a treinar jiu-jitsu no final do ano de 2011. Ela já tinha sido convidada por um amigo praticante há alguns anos antes, porém não estava confortável com o fato de treinar apenas com homens, o que atrasou sua primeira experiência com a arte suave em dois anos.

 “Ao chegar no CT só tinha homens no treino. Fiquei sem graça e decidi ir embora sem fazer (risos).”

 Ela procurava uma atividade física além da musculação e, por coincidência, a academia onde ela já malhava abriu uma turma iniciante de jiu-jitsu.

“Fui fazer uma aula experimental, entrei numa turma em que todos eram iniciantes e foi bom eu ter começado assim, pois aprendemos juntos desde amarrar a faixa a como não ter ego dentro do tatame. E hoje sou assim: viciada! (risos)”

Assim como muitas de nós, a Géssica sofreu no início com a falta de parceiras do sexo feminino no tatame. Ela contou que precisou trabalhar muito seu psicológico, pois pensava em desistir todos os dias.

“Aprendi muito na porrada, só treinava com homens de 80/90KG e como falei, a maioria era iniciante, então o uso de força era excessivo e sempre me achava ruim, pois não conseguia colocar em prática nada que fazia no drill.”

Além disso, ela também teve bastante dificuldade em explicar a paixão pelo esporte para os pais por conta dos hematomas, lesões etc, mas hoje já entendem e adoram quando ela volta pra casa com medalhas. Ela conta que na rua, as pessoas costumavam achar que ela apanhava do marido: “Eu me incomodava um pouco e vivia de calça jeans (risos).”   Por outro lado, ela diz nunca ter sofrido com o machismo.

“Treino com muitos homens e por mais que peguem pesado comigo por ser competidora, eles me respeitam e me tratam super bem, em todos os CT’s  da minha equipe que vou, sempre sou muito bem tratada.”

Hoje sua maior dificuldade é não ter apoio (principalmente financeiro) para as competições, e ainda completa que esse é o caso das maiorias das atletas de jiu-jitsu. Mas mesmo assim ela afirma não pensar em deixar de competir.

“Tomei gosto por competir com apenas 3 meses de arte suave e hoje não consigo parar. Gosto da adrenalina, mas às vezes a questão financeira atrapalha esses planos(…)”

Como gosta de competir, ela mantém uma rotina diária intensa de treinos, preparação física, pilates e judô.

(…) Procuro não faltar em nenhum treino. Inclusive divido alguns dias entre preparação física, pilates e judô. Às vezes nos finais de semana, quando não estou competindo, me junto com os amigos que treinam e ficamos fazendo drills para melhorar ainda mais. (…) É complicado conciliar várias coisas e ainda ter disposição para treinar e terminar o dia se sentindo satisfeita com o que fez. Mas, na vida, os obstáculos estão aí pra isso. A gente arruma um jeito, às vezes não posso estar no meu horário de treino e vou no de mais tarde, mesmo que signifique estar morta de cansada no outro dia. Eu tento o máximo estimular as meninas que hoje treinam comigo e são faixa branca e azul. Pergunto sobre dúvidas que elas têm, passo um pouco da minha experiência no tatame e as faço gostar cada dia mais disso.

E além dos treinos, atualmente ela segue uma dieta bem regrada, orientada por uma nutricionista para conseguir manter o peso ideal, e ainda reforça a importância do acompanhamento profissional para o bom desempenho nos treinos e campeonatos.

Pelo excesso de treinos eu sempre deixava de comer algo ou pulava alguma refeição. Isso me deixava sempre no peso abaixo das minhas adversárias. Hoje, com a ajuda de profissionais na área, eu consigo bater o peso direitinho. Além disso, tenho mais força e disposição para treinar, principalmente em época de competições.

Segundo ela, o jiu-jitsu mudou sua disciplina com relação a boa alimentação, além das mudanças de humor:

“Aprendi a controlá-lo. Eu era muito explosiva e a arte suave ajudou na maneira de encarar os obstáculos da vida. Quando eu penso em desistir de algo, já paro e reflito: se posso no jiu, posso prosseguir em qualquer coisa, basta querer.”

Confira seus principais títulos:

Campeã peso e absoluto Rio Summer 2016
Vice campeã Brasileira 2016
Vice campeã peso e absoluto Rio Winter/Internacional Master 2016
Campeã Sul Americana 2016
Campeã peso e absoluto Rio Fall 2017
Campeã peso e vice no absoluto Floripa Fall 2017
Campeã peso e absoluto Salvador Fall 2017

 Quando perguntamos sobre suas  posições ou finalizações preferidas ela cita o triângulo e diz que procura aplicá-lo muito, porém não fica presa somente a ele: “treino duro, principalmente nos quesitos em que me considero fraca, e quando tenho oportunidade aplico tudo o que aprendi.”

Falamos também sobre a expansão do jiu-jitsu feminino e, na opinião dela, é nítido o aumento da procura das mulheres pelo esporte, seja por hobby ou para se desafiar nas competições, porém ainda temos muitos pontos para adaptar e melhorar.

Não tenho tantos anos de jiu como outras meninas do cenário nacional e internacional, mas é nítido que aumentou  o número de mulheres procurando a arte suave, principalmente nas faixas de base (branca e azul), seja por hobby ou para se desafiar competindo. Acho que quanto mais graduadas, maior o desafio de se superar. São vários fatores, não dá pra ficar preso a apenas um. Por exemplo: demora-se anos para graduar, e algumas mudam suas rotinas, viram mães, mudam de cidade e não procuram outras academias, trabalham em outras áreas e não conseguem horários de treinos, ou mesmo não conseguem apoio da família e de amigos para prosseguir na arte suave e acabam desistindo, mesmo depois de graduadas. Nas competições, eu acredito que a diminuição de meninas nas graduações acima é a falta de incentivo e investimentos no feminino. Existem campeonatos que gastamos os mesmos valores que os homens e somos recompensadas com premiações menores.

Campeã peso e absoluto Salvador Open CBJJ
Campeã peso e absoluto Salvador Open CBJJ

Seu maior sonho é ser campeã mundial ainda esse ano na faixa roxa e também nas próximas, até a preta. Futuramente ela deseja ministrar aulas e ajudar crianças e adolescentes a mudar de estilo de vida por meio do esporte, e finalizou deixando um recado para todos que a seguem como atleta:

Àquelas que têm admiração por mim como atleta e pessoa, eu só digo: não desistam! Continuem firmes em suas jornadas, façam as coisas com amor e disciplina que tudo chega. Em algum momento, eu estarei torcendo e vibrando por cada uma de vocês. Oss.

 Géssica, nós do BGM agradecemos muito a sua simpatia e disponibilidade. Desejamos muitas vitórias durante sua trajetória no jiu-jitsu!

Confira os melhores momentos de suas lutas:

 Oss.

 

 

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Comments 4

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  1. Eu não consigo entender como dizem que arte marcial torna a pessoa menos agressiva. A pessoa passa anos treinando aí qualquer motivo tipo um esbarrão na boate, discussão no futebol ou trânsito quer por em prática e humilhar e agredir.
    Na minha escola todos que praticam são antipáticos e marrentos e doidos para arranjar confusão e briga, treinam jiu jitsu e muay thai.
    Eu até evito me relacionar com esses colegas, meus amigos são os do surf e futebol. Sei lá, precisa muita filosofia ou punições severas para controlar a mente de quem treina luta. Luta não é esporte.
    Marcelo Freire, 16 anos, estudante.

      1. Talvez tenha sido injusto generalizando e aí me desculpe.
        Eu comentei que na minha escola não são boas pessoas e são os únicos caras que lutam que eu conheço.
        Com boa orientação pode ser um esporte como outro qualquer. (quer dizer mais ou menos né kkkkkkkkk é briga )

      2. Talvez tenha sido injusto generalizando e aí me desculpe.
        Eu comentei que na minha escola não são boas pessoas e são os únicos caras que lutam que eu conheço.
        Com boa orientação pode ser um esporte como outro qualquer. (quer dizer mais ou menos né kkkkkkkkk é briga )

Atleta da semana – Géssica Fong

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