Trabalho, estudos, jiu-jitsu: como conciliar?


Os apaixonados pelo jiu-jitsu e com anseios de participar de várias competições, sonham em poder viver do esporte. Há uma grande parcela de pessoas que adorariam viver do jiu-jitsu se pudessem. Mas a realidade da maioria é diferente, né? Nem todo mundo pode abrir mão de sua rotina, de seus projetos, de suas garantias de receber um salário, ou de ter uma profissão “dentro dos padrões” que a sociedade impõe. Ainda mais levando em conta que o Brasil é um país que não valoriza o esporte — nenhum deles–; que são poucas as academias dispostas a dar uma ajuda de custo mínima aos que se esforçam e demonstram ter potencial; e que os campeonatos costumam ter um preço bem alto para que a gente consiga desembolsar esse dinheiro sem trabalhar (a não ser que você já tenha boas condições financeiras).

Como uma pessoa apaixonada por jiu-jitsu e que, ao descobrir esse esporte tão incrível, decidiu por como meta de vida participar de muitas competições e levar isso a sério, digo: não é nada fácil. Sem emprego e somente como bolsista na faculdade, ficava muito mais fácil me dedicar aos treinos. Agora, vivo uma dupla jornada, assim como grande parte dos brasileiros: empregada (por tempo integral) e estudando — muito no caso, pra não correr o risco de perder minha bolsa –. Ou seja, a jornada vira tripla ao fazer questão de permanecer com o jiu-jitsu na minha vida e incluí-lo no meu agora apertado horário. Tive sorte, porque, apesar da minha academia só ter dois dias por semana no período da manhã para treinar jiu-jitsu, o tempo que levo de lá até o trabalho é praticamente cronometrado e eu chego exatamente na hora de bater o ponto, às vezes só 5 ou 10 minutos antes.

Por qual razão eu decidi relatar a minha vida pessoal? Justamente porque eu tive um momento de desmotivação, de medo. Assim que eu consegui passar na entrevista, fiquei super feliz: “vou ter como pagar meus campeonatos!”, até que a ficha caiu: “mas não vou ter tempo de treinar, nem de me dedicar como antes”. E pensei que isso só ia me atrasar, que minha evolução demoraria ainda mais pra acontecer, que seria muito mais difícil, que talvez eu não fosse aguentar essa carga pesada que é ser bolsista, trabalhar e ainda ter que arranjar tempo pra me dedicar ao jiu-jitsu e ainda uma outra parcela de tempo pra vida social, que também é importante pra nossa sanidade mental.

E eu sei que não fui e nem sou a única que passa por essa situação. Então, às vezes, tudo o que precisamos é nos motivar lendo outras histórias, histórias de pessoas que decidem arriscar, decidem passar um aperto, mas sabem que é temporário e que vale o esforço. É aquilo: sim, você vai treinar menos, vai competir menos, vai ter menos disposição, vai se sentir cansado e muitas vezes vai ser difícil acordar 5h30 da manhã para pegar um ônibus cheio e ir treinar. Mas vai valer a pena. O jiu-jitsu me ensinou a não desistir e se eu continuo com ele em minha vida, é por causa dele próprio. Me ensinou a ter disciplina, a insistir numa coisa até aprender, a não desistir fácil.

A maioria de nós brasileiros leva essa vida dupla, tripla, quádrupla. Imagino que a minha situação ainda esteja mais amena do que aquelas que além de tudo também são mães, estudam e trabalham. Vale refletir antes de tomar uma decisão de largar o jiu-jitsu: se você pode permanecer com ele, permaneça. O jiu-jitsu é uma terapia. Sem essa terapia, seria abraçar o caos; pelo menos, seria assim que eu me sentiria se eu tivesse que abandonar o esporte por conta da vida acelerada que o sistema nos coloca. O jiu-jitsu é o momento de calmaria do mar turbulento que a vida traz. Então, se você está na mesma situação que a minha, meu recado é: não desista. Não é fácil mesmo e ninguém disse que seria. Acorda, toma um banho, toma um café quente e vai assim mesmo. Lá na frente, uma faixa preta te aguarda!

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Comments 2

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  1. Oi, Tainá!
    Obrigada por compartilhar sua história conosco. Estou em situação parecida e sem motivação para treinar por causa do cansaço, do estresse do dia a dia. São tantas cobranças e responsabilidades. Estou no início do caminho na arte suave e parece que não aprendo ou aprenderei as diversas posições, e tudo que envolve essa arte milenar. Pretendo prosseguir e voltar a treinar, mas ainda não encontrei meios de começar a treinar regularmente para que eu possa enxergar minha evolução, meu desenvolvimento dentro e fora dos tatames. Me senti representada pelo seu relato.
    Força e sucesso para nós. Abraços.

    1. Oi, Van!
      Olha, sei que é difícil e cansativo, mas a gente consegue! O desenvolvimento pode ficar um pouco mais lento, mas o importante mesmo é não parar. O único momento que a gente pode fugir das cobranças e responsabilidades que a vida traz, são nesses momentos tão maravilhosos dentro do tatame.
      Volta logo, tô na torcida por aqui <3
      Super beijo 🙂

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