Sobre marketing e patrocínio no jiu-jitsu


Um tempo atrás recebi uma sugestão de post bem interessante, que é sobre a dificuldade em conseguir patrocínio. Todo atleta que se dedica de verdade gostaria de ter um apoio ou um patrocínio para seguir lutando e indo em busca de seus sonhos no esporte, mas a realidade é que boa parte das empresas não dão muita importância para isso. Frente a isso, gostaria de esclarecer alguns pontos.

A primeira coisa que se deve ter em mente é que nem toda marca vai estar interessada no quanto você é bom no que faz. Depois de um tempo analisando a relação entre marcas e atletas, percebi que existem muitos atletas duríssimos, mas com pouca visibilidade, e muitos atletas não tão bons, mas que contam com muita visibilidade conseguem bastante patrocínio.

O que faz então um atleta ter patrocínio?

Além de ser bom no que faz, o atleta precisa ser alguém que vende os produtos. Não necessariamente alguém que faça a venda propriamente dita, mas alguém que seja influente o bastante para isso, de forma que as pessoas ao confiarem nele, confiem também na marca que patrocina o atleta.

O processo de venda é feito através de um elo forte de confiança. Ou você compra algo de quem não confia ou não acredita que possa ser bom pra você? O atleta patrocinado é o espelho disso. Por isso, a marca ao escolher alguém procura saber se a pessoa tem visibilidade o suficiente e também se é uma pessoa com uma reputação favorável à marca. Vale lembrar que a polêmica também é algo que vende e atrai seguidores/fãs – ou seja, se algum atleta tem um canal polêmico no Youtube por exemplo, se usa de algum apelo corporal ou afins, é bem capaz de alguma marca ficar de olho na visibilidade que ele conseguiu.

A dica para quem quer ser patrocinado é: seja mais do que um atleta. Não que isso seja pouco, eu sei que é muito e precisa se dedicar bastante, porém o que eu digo aqui, é que é preciso ter uma boa apresentação pessoal. Cuide bem das suas redes sociais, seja carismático com os outros atletas, fãs, parceiros e, se possível, crie conteúdo exclusivo para suas redes. Como são os seus treinos de jiu-jitsu? Como é a sua alimentação? O que faz para se concentrar antes dos campeonatos e conter o nervosismo?

Fora isso, lute os campeonatos federados. Mesmo que não leve ouro em todos eles. Apesar de a maioria dos campeonatos não pagar premiação, os da CBJJ por exemplo você acumula pontos no ranking, que ao final do ano podem te render um valor em dólares. Na faixa preta (masculino e feminino), por exemplo, a premiação está em 15 mil dólares. Nada mau, não?

Quem treina muito sem dúvidas treina muito, mas nem todo mundo treina do mesmo jeito. E é esse o diferencial observado pela maior parte das marcas: a sua forma de encarar as dificuldades, sua trajetória, como é a sua preparação física, sua dieta, sua fisioterapia etc etc. A marca que patrocina está fazendo um investimento, e como qualquer outra empresa, precisa de retorno, afinal, as contas precisam ser pagas, assim como seus campeonatos, hospedagens e afins.

E mais do que ter um patrocínio que pague inscrições de campeonatos etc, é preciso correr atrás. A Thais, por exemplo, se vira nos 30 para pagar inscrições e viagens – faz bingos, festas, rifas, trufas e muito mais. Existe também um recurso para arrecadar dinheiro, que é o Vakinha. Você faz a proposta, mostra o objetivo da arrecadação e põe no ar para a galera doar. Claro que nesse caso específico é um dinheiro que não garante retorno, trata-se de uma doação mesmo (e que talvez dê mais certo com a família), o que é diferente de quando você faz uma rifa, vende algum doce, ou faz algum evento. Recentemente, a Tayane Porfírio fez um seminário para arrecadar fundos para um fã seu lutar o Pan Kids. O seminário rendeu e o menino, além de lutar, foi campeão.

É legal também ter um currículo de atleta bem elaborado, como fazemos aqui. E você, tem patrocínio? Como foi para conseguir? Se ainda não tem e tiver alguma dúvida, manda aqui pra gente!

Oss.

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Comments 1

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  1. Talvez a dificuldade também ocorra por estar o jiu jitsu frequentemente associado a agressões a pessoas leigas nas ruas, bares, trânsito, boates etc.
    Ficou estigmatizado como esporte de gente violenta e arruaceira. Aos poucos vcs estão mudando essa imagem mas ainda tem muita gente de pé atrás.

Sobre marketing e patrocínio no jiu-jitsu

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