Da passarela aos pódios: Entrevista exclusiva com Monique Elias


Fala, galera! Como em todas as quintas temos uma entrevista, hoje temos uma especial com a multicampeã Monique Elias. Desde que comecei a treinar acompanho seu trabalho como atleta, e ela foi a minha primeira referência de mulher no jiu-jitsu. Depois de um tempo conheci outras tão boas quanto ela, mas por ter sido a “primeira” que eu conheci pessoalmente, já tinha muita admiração.

Pra quem não sabe,  Monique é atleta faixa preta da Alliance Mario Reis, de Porto Alegre, e 3 vezes Campeã Mundial da IBJJF.

Hoje ela contou um pouco pra gente sobre sua mudança da vida de modelo para o jiu-jitsu, falou sobre como o esporte moldou sua vida e também sobre os momentos importantes de sua carreira. Vamos lá então?

O início

Monique começou a treinar jiu-jitsu em Julho de 2009 a convite de Mário Reis (hoje seu esposo). Mário, na época era um amigo.

“Fiz uma primeira aula espetacular, com fundamentos de defesa pessoal e me apaixonei! (Pelo jiu jitsu). Rs”

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Monique Elias e Mário Reis – 2009 (Reprodução: Facebook)

Da passarela aos tatames

Monique Elias antes do Jiu-Jitsu (Reprodução: Instagram)
Monique Elias antes do Jiu-Jitsu (Reprodução: Instagram)

Para Monique, largar a indústria da moda foi algo que aconteceu muito naturalmente. “Eu estava em um concurso de beleza e ao mesmo tempo em treinamento para lutar o sul americano faixa branca (que foi meu primeiro campeonato) e ficava difícil gravar o dia inteiro, e chegar atrasada pra treinar. Eu acabei escolhendo o que me completava. E não sinto falta nenhuma…”

Monique em seu primeiro campeonato de faixa branca, com 5 meses de treino
Monique em seu primeiro campeonato de faixa branca, com 5 meses de treino

Monique e o Jiu-Jitsu

Falamos com ela também sobre o que o esporte trouxe de mudanças em sua vida, e ela afirma que, de forma resumida, ele se tornou um estilo de vida, pois está presente diariamente. “Aprendi a me alimentar melhor. Como uma atleta, a treinar meu controle de emoções, a me manter sempre saudável e ativa para fazer a coisa que eu mais amo que é treinar! Isso inclui muitos princípios que acreditamos que se seguidos com sabedoria podemos alcançar tudo que almejamos!”

Monique e Mário

Sobre ser aluna e esposa de Mário Reis, ela conta que até a faixa roxa ela era “a esposa do Mário Reis”. O que pra mim, é um tanto complicado porque você meio que está à sombra de alguém… Mas conforme o tempo passou, ela diz que foi conquistando seu espaço (e realmente, quando descobri quem era Monique, soube primeiro dela e só depois vi que era esposa de um faixa preta), levando peso e absoluto em todas as faixas:

“a gente foi se tornando mais uma dupla. E hoje acredito que conquistamos um espaço juntos. Juntos trabalhamos da melhor maneira possível para não transformar essa atenção em pressão. Pois seria um sentimento a mais para lidar dentre o turbilhão de emoções que já é ser simplesmente atleta. Eu procuro focar na parte maravilhosa que é ter uma pessoa especial como ele, como professor e formador de tantos campeões, e obviamente ter uma pessoa assim 24 horas por dia, com os mesmos objetivos que os meus só poderia resultar em sucesso. E sou muito grata por ter ele ao meu lado sempre. Claro que tivemos que ajustar muitas coisas ate chegar em um nível que fosse mais saudável para manter esse relacionamento. Porque é diferente ter um namorado/marido, um professor, e um marido que é seu professor também.”

Monique Elias e Mário Reis (Reprodução: Instagram)
Monique Elias e Mário Reis (Reprodução: Instagram)

Sobre treinar jiu-jitsu e ser mulher

Reprodução: Instagram
Reprodução: Instagram

Sobre alguns preconceitos que enfrentamos hoje que “jiu-jitsu é coisa de homem”, Monique acredita que a mulher tem que ter a liberdade de ser como ela quiser. “Eu sou assim. Eu sou feminina, cuido de mim, faço as unhas, hidrato o cabelo, eu gosto de moda, eu me interesso por artes, mas eu também amo jiu-jitsu, eu sou moleca, gosto de esportes, sempre tive amigos homens, gosto de azul, mas também gosto de rosa. Eu deixo meus sentimentos fluirem, eu sou do jeito que eu sou. Não vou mudar para que me aceitem. Acho que a sociedade estigmatiza e rotula as pessoas desnecessariamente. Porque eu posso ser o que sou, e ainda sim ser boa de jiu-jitsu, simplesmente por fazer com muito amor! O que eu posso dizer para as futuras gerações é que sejam vocês mesmas sempre! Acredita em ti, que todos teus sonhos podem sim se tornar realidade!”

Quebrando preconceitos

Monique conta que já sofreu preconceito no esporte não só por treinar jiu-jitsu, mas também por não ter o “estereótipo de jiu jiteira”. Diz que muitos conhecidos, amigos e pessoas de seu trabalho não acreditavam que ela pudesse ir longe:

“Quando perguntam o que faço, as pessoas ficam incrédulas. Acho que a maioria pensa, com esse rostinho nunca deve ter ganho nada tadinha… hehehehe e eu não faço questão de falar sobre meus títulos. Eu só digo que sou atleta. Deixo a maioria pesquisar por si só. É bem engraçado o feedback disso hehehe. Mas o pior foi um policial de imigração que não acreditou que eu era atleta, e estava indo lutar. Me levaram pra uma sala, e depois de uns 20 minutos o policial voltou todo cheio de assunto, dizendo que era boa de jiu jitsu mesmo… hehehe acho que eles fizeram uma pesquisa. Ainda bem que tem alguma coisa lá no google pra provar.”

Alimentação 

Ela conta também que em relação à sua alimentação, desde que começou a treinar, mudou quase tudo. Monique não come açúcar branco, glúten, lactose, álcool, carne vermelha, come preferencialmente orgânicos, comprados e feitos por ela mesma! Óleos somente coco e oliva, água somente alcalina. “Porque eu acredito que quanto mais eu cuidar do meu corpo, melhor aproveitado vai ser meus treinamentos. Se tornou um estilo de vida, e não faço esforço pra ser assim. Eu amo ser assim, saúde é um objetivo de vida eterno pra mim. E eu amo cozinhar! Então fica fácil. Eu faço muita coisa gostosa e saudável! Se tornou uma brincadeira divertida pra mim.”

Carreira

Sobre sua trajetória no esporte, ela diz ter vivido muitos momentos importantes, de diferentes maneiras, e aprendizados. Mas o mais especial foi ter se formado faixa preta:

“Foi o dia mais feliz da minha vida. Conquistar o mundial, ter passado por cima de lesões, toda a superação que é ser mulher, atleta de jiu jitsu, e querer viver disso. Vencer não o campeonato, mas se vencer todos os dias. Todo dia com jiu jitsu é alegria, é especial!”

Lesões

Monique sofreu recentemente uma lesão no quadril, e está por isso há 3 meses sem treinar. Fez uma artroscopia de quadril para reparar impacto femoracetabular, e reconstruir o labrum.  “Mas não posso reclamar. Foi uma cirurgia e recuperação espetaculares. Sem dor, e breve eu vou estar de volta. Lutando, treinando, e fazendo a coisa que mais amo na vida!”

Planos para o futuro

Com todo o sofrimento que veio por ter que ficar longe do que ela mais ama, não somente pela lesão, mas por ter se dedicado aos negócios da família por um período, lhe fizeram refletir. “E a coisa que eu mais quero é voltar a lutar. Se eu estiver apta para lutar, estarei lá me divertindo!”

Golpe preferido

“Omoplata! O Mario brinca que se tirar o omoplata do meu Jiu-jitsu não resta mais nada! Hehehe Ao menos isso ele admite que eu sei fazer bem.”

Confira:

Para te inspirar:

“Seja você sempre. Seja luz aonde for. Estimule as pessoas ao seu redor a caminhar junto com você. Inspire e seja inspirada. Não deixe que lhe digam que um sonho não vale a pena. Todos os sonhos valem a pena serem realizados. Busque ferramentas para concretiza-los. E nunca esqueça de colocar muito amor no que você faz!”

A equipe Bjj Girls Mag agradece à Monique por tudo que fez e faz pelo jiu-jitsu, e também por inspirar tantas e tantas mulheres no esporte. Sucesso <3

Vale lembrar que Monique já fez lutas lindas com Luiza Monteiro, que também já passou por aqui.

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