Virei vegana e pratico esportes. O que preciso?


Se a sua decisão do início desse ano foi a de abrir mão totalmente não só da carne, mas também dos seus derivados, sabemos que a tarefa não é fácil. Afinal, deixar de comer além da carne, ovos, leite, e tudo aquilo que contém estes alimentos, é um desafio numa sociedade em que culturalmente todos acreditam ser extremamente necessário tais produtos para viver.

Decidi me usar de exemplo para dizer que “é possível ser vivo, ser ativo e ter muito gás nos treinos sendo vegana!“. Sou vegetariana há quase 10 anos, dentro disso, tive 4 anos de veganismo que, por motivos pessoais e que nada tinha a ver com a dieta, me fizeram voltar a comer derivados. Após um tempo, no entanto, consegui retornar à dieta vegana e permaneço nela até atualmente, tendo um pouco mais de um ano de veganismo em minha vida novamente.

Mas o que muda? Como o corpo reage?

Quando abri mão da carne (não, nem peixe!), tive um início difícil. Eu gostava de carne. Contudo, a única falta que meu corpo de fato sentiu, foi a do sabor. A proteína é fácil de encontrar, há muitos grãos extremamente ricos em proteínas, alguns vegetais também. Foi a partir do veganismo que descobri a variedade de proteínas  e vitaminas que podemos consumir sem precisar comer animais pra isso. Não vou mentir, para qualquer um que está adaptado a comer carne durante a vida inteira, abrir mão dela, do queijo e tudo o mais, de início é uma tarefa difícil. Mas logo nos primeiros meses é possível sentir a diferença, a leveza do corpo. Algo muito forte na minha memória, era quando eu comia carne em excesso e me sentia pesada, estufada. A vantagem da comida vegetariana é a sensação de satisfação, que é bem diferente dessa que a carne traz. Se você come demais uma comida vegana, o máximo que você vai se sentir é satisfeito.

O ideal é consultar um nutricionista

Procure um nutricionista que esteja atualizado dentro de sua área. Muitos, infelizmente, ainda carregam mitos sobre abrir mão da dieta vegana, mas esse quadro vem mudando e há diversos nutricionistas que já estudam o veganismo e compreendem sobre suas vantagens, e que irão te auxiliar nesse processo de transição, com dicas de alimentação, opções veganas daquilo que você costumava mais gostar quando comia derivados etc. A vantagem é que somos seres adaptáveis e basta trabalhar o lado psicológico do “sentir falta” através de opções veganas tão gostosas quanto àquilo que você costumava comer, que com o tempo você se acostuma. Se você tem disciplina para treinar, para se dedicar às posições, etc, você tira isso de letra.

Lembrar-se que todos os vegetais possuem as vitaminas que você precisa, menos a B12

Lembrar-se de suplementar essa vitamina é super importante. A B12 é uma vitamina fundamental para o nosso organismo. Temos um reservatório que dura alguns anos no nosso corpo, mas é importante suplementá-la, pois ela é a responsável pela formação do nosso cérebro quando estamos em fase de crescimento e depois, após nos tornarmos adultos, ela é fundamental para o sistema nervoso central, entre diversas outras questões do nosso corpo. A sua única preocupação caso você tenha tomado a nobre decisão de tornar-se vegano, vai ser a de suplementar tal vitamina. Pois proteína você acha à vontade na natureza, sem precisar consumir carne pra isso!

E a proteína?

Proteína é o que não falta. Tem no amendoim, tem no feijão, tem na lentilha, tem no grão-de-bico, tem no brócolis, tem nas castanhas, tem nos cogumelos – shimeji, hmm! -, tem até no arroz (arroz negro é super proteico)! Você vai começar a ser criativo e vai obter proteína das mais variadas fontes. Outra dica é: põe no pai dos burros, o Google. Lá tem muita informação bacana sobre como substituir as proteínas sem precisar ficar refém somente da proteína de soja.

E o leite?

Leites vegetais são uma delícia. Depois que você provar café com leite de amendoim, vai entender o que estou falando. Se você quer praticidade, leite de soja é fácil de encontrar no mercado. Mas se você tá com a grana curta e consegue reservar um tempo no final de semana para se dedicar à sua dieta, você pode preparar seus próprios leites, tendo um custo-benefício ótimo e sem desperdício. O leite de amendoim é um exemplo de como sai barato pro bolso e ainda dá pra aproveitar os resíduos e sobras do leite que você fizer para preparar cookies, ricota vegana e pães.

Tem comida gostosa?

Tem sim. Porque seria muito injusto deixarmos de comer comidas gostosas só porque optamos não comer mais animais e nem seus derivados. Quando você descobrir as delícias da dieta vegana, você vai se impressionar. Nada de comida de hospital, só comida gostosa!

Vou ter gás nos treinos? Não vou ficar fraca e anêmica?

Vou falar da minha experiência novamente, mas não só da minha: eu tenho bastante gás nos treinos – já até me perguntaram o que eu tomava pra ter tanto gás assim – e bastante força também. Inclusive, acredito que o gás que eu tenho tem muito a ver com a minha dieta, pois o nosso corpo responde imediatamente ao que comemos. Como eu havia dito no início, me sinto leve. E me sentir leve e com gás, me ajuda muito nas movimentações do jiu-jitsu.

Agora, falando de alguns atletas, definitivamente o ultramaratonista Scott Jurek, repleto de vitórias, é um bom exemplo de vegano com um pique danado! Nate Diaz também entra nessa lista, além do Patrik Baboumian que já foi considerado “o homem mais forte da Alemanha”. Ou seja, não tem desculpa: se você quer, arregace as mangas e use de toda a sua força de vontade e se joga!

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