A luta pelo apoio: a realidade do atleta profissional brasileiro


Não é novidade que os atletas no brasil, principalmente no início de suas carreiras tenham grande dificuldade de se tornarem profissionais, ou seja, viver do esporte e principalmente do jiu-jitsu. Enquanto em alguns esportes, atletas se tornam rapidamente milionários, no nosso infelizmente a grande maioria tem que travar uma batalha diária para pagar inscrições, viagens e despesas. Oque me entristece mais ainda é que essa realidade não é apenas dos iniciantes. Não é incomum escutarmos história de atletas faixas pretas e com grandes títulos que continuam com dificuldades de conseguir patrocínios.

Escrever sobre este tema já era um objetivo, mas a motivação mesmo surgiu quando fui ao seminário da Eloisa Souto, atleta faixa preta da Nova União de Macaé-Rj. Grande representante do jiu-jitsu feminino na região, a Elo me apresentou técnicas incríveis e com muita simpatia e humildade conquistou todos que participaram do evento. Mas sabe o que me impressionou de verdade? Uma atleta daquele nível, com todos aqueles títulos contar que tem dificuldades para ir as competições…

A Elo traz em sua bagagem muitos títulos da CBJJ/IBJJF, como dois títulos de vice-campeã mundial, três títulos de campeã brasileira, 1 de vice sul americana e inúmeros Opens. Nós que somos do meio sabemos que títulos como esses são muito almejados e poucos no mundo podem ostentá-los por aí, mas mesmo assim, infelizmente em alguns casos, não tornam a vida do atleta “mais fácil”.

Conversando com a Elo, ela me contou que as dificuldades são as de conseguir patrocínio e reconhecimento, principalmente sendo mulher num esporte dominado por homens. Um exemplo disso foi o Europeu. A atleta estava inscrita e preparada, mas não teve a verba para a viagem. No ano passado, quando teve a oportunidade de trazer o vice-campeonato mundial, a atleta havia ganhado sua passagem em uma competição e foi aos Estados Unidos apenas com poucos dólares e muita vontade de vencer. Tais dificuldades não impedem a atleta de se preparar. Apesar das dificuldades Elo treina jiu-jitsu todos os dias, além de fazer musculação e preparação física e tem em seus planos participar de todos as competições importantes do ano.

Além disso, falamos um pouco do Jiu-jitsu feminino e as nossas impressões. A Elo deixou uma mensagem muito bacana, digna de uma faixa preta:

“Acredito que as mulheres devem ser mais unidas, compreender o verdadeiro espírito do jiu-jitsu. É uma arte linda onde temos que ter em mente a evolução do corpo e da mente. Um lutador não deixa de ser lutador quando tira o kimono. A nossa união só tem a valorizar o nosso esporte e a trazer mais visibilidade para o jiu-jitsu feminino.”

A Elo conta hoje já com alguns patrocínios, como a farmácia de manipulação Botica de Rossi, o Doutor Alessandro Mitraud, médico do esporte e a marca de quimonos Brazil Combat, além do apoio de amigos e equipe que vem fazendo um trabalho muito bacana, mas é preciso mais apoio.

Confira aqui uma das lutas da atleta:

Se vocês me perguntarem se esse texto é sobre histórias tristes, nada disso! Nosso objetivo aqui é sim levantar um pouco da discussão da falta de patrocínio para nossos atletas e mostrar a realidade da Elo como exemplo, mas mais do que isso, nossa história vem falar também de persistência e força de vontade. Quando perguntei o que a Elo queria, ela logo disse: “quero ser campeã mundial na preta”. E sem dúvidas, acreditamos e torcemos por isso!

Espero sinceramente que as empresas, principalmente as grandes marcas comecem a olhar um pouco pelo nosso esporte repensem um pouco a distribuição dos patrocínios.  Vemos hoje patrocínios milionários a atletas com salários maiores ainda e outros tendo dificuldades que poderiam ser diminuídas através de patrocínios. Tenho certeza que existem grandes atletas esperando apenas um empurrãozinho para trazer grandes resultados para suas academias, cidades e marcas apoiadoras.

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