Crianças no tatame: diversão ou obrigação?


Se você tem filhos ou treina com pessoas que têm, com certeza já viu alguma fofurinha correndo pelo tatame, brincando com os aparelhos da academia ou apenas sentados num cantinho qualquer aguardando pelo fim do treino.

Não é novidade para ninguém que as crianças, independentemente da idade, são cheias de energia e com uma criatividade que vai longe. Qualquer momento e lugar são oportunos para uma boa arte, daquelas que nenhum adulto poderia pensar em fazer. Mas a pergunta que não quer calar é: a partir de quando devo levar meu filho para o jiu-jitsu?

Não existe uma idade certa para iniciar os treinos, afinal, cada criança se desenvolve num tempo único, e mostrar aptidão ou desejo por qualquer tipo de atividade não está relacionado com a inteligência.

Ao longo da nossa vida, vamos descobrindo quais atividades nos fazem sentir melhor, nos agradam mais e até mesmo quais delas fazemos com maestria. A capacidade de “descobrir dons” está fortemente relacionada com o autoconhecimento, e isso é uma coisa que adquirimos ao longo da vida. Por este motivo, a maioria de nós começa a treinar relativamente tarde e muitas vezes, nem é o que nascemos para fazer, mas quebramos nossas barreiras todos os dias simplesmente por amor.

Há pessoas que estão buscando qualquer tipo de atividade física para as crianças apenas por saber da importância para o bom desenvolvimento, pela disciplina e saúde. Todas as pessoas que eu conheço e que se encaixam nesse quadro, não são praticantes de nenhuma atividade, e isso pode dificultar um pouco, pois você pode escolher alguma coisa que não irá atrair tanto o seu filho, afinal, só ele poderá dizer se é tão legal quanto você pensava. Vale lembrar que tudo que é uma obrigação e envolve responsabilidade, pode se tornar chato e cansativo para os pequenos.

Outra situação que pode acontecer, e é muito comum para a próxima geração do jiu-jitsu, são os pais lutadores. Com a expansão do jiu-jitsu feminino e dos casais que treinam juntos, os tatames começam a ficar cheios dos pequeninos e isso acaba despertando neles o interesse e intimidade pela arte, além do benefício de ser treinado em casa. E essa questão pede um texto especial para os pais.

O fato é que, se você gostaria que os seus filhos fossem lutadores, meu conselho é para que os levem sempre nos treinos. Além de ser um passeio com os pais, eles gastam energia e podem estar entre praticantes de artes marciais, o que incentiva a disciplina, organização e principalmente o respeito. Já falamos aqui sobre como o jiu-jitsu é um aliado contra o bullying e até mesmo em tratamentos específicos como a hiperatividade e a depressão, então se você tem filhos, não os deixe em casa.

A prática de atividades junto com os filhos, além do exemplo, ajuda a estabelecer uma relação de confiança e amizade, que será muito útil quando eles estiverem na adolescência. Todos nós já passamos por isso e sabemos o quão importante é ter pais com quem podemos conversar e confiar em qualquer situação. Quando você treina com o seu filho você se torna um exemplo muito maior, além de ter um tempo especialmente reservado para praticar uma atividade e se divertir juntos.

Como já disse, acredito que não existe uma idade exata para o início dos treinos, mas em geral, as academias costumam montar turmas a partir dos seis anos, quando a criança já começa a entender a lógica dos movimentos e em quais momentos poderá utilizá-los. Antes de matricular uma criança em qualquer atividade, leve-o para aulas experimentais, faça testes por alguns meses e se você perceber que encontrou a atividade certa, não deixe que se torne uma obrigação. Dê alguns dias de descanso na semana, não cobre resultados com uma intensidade muito alta e sempre acompanhe e parabenize as pequenas evoluções.

Crianças são absurdamente transparentes, então se ela não estiver gostando de alguma atividade, ficará claro para você, mesmo assim é bom que você entenda alguns sinais. Observe nos treinos, veja se ela se mostra muito cansada e desmotivada, se existem obstáculos suficientemente alcançáveis e também se a criança está interessada em quebrar essas barreiras. Uma criança que quer que todos os treinos acabem logo, claramente não está curtindo o que está fazendo e a vida é curta demais para fazer alguma coisa sem querer. Se um dia ou outro bater uma preguiça, é normal, ninguém é de ferro, incentive e relembre a importância de estar em todos os treinos. Mas se persiste em todas as aulas, não crie limites. Se o seu (sua) filho (a) não está interessado na atividade que você pratica, deixe que ele (a) conheça outras, tente de tudo mesmo, você nunca sabe onde pode ter um dom escondido.

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