Professores transformadores: nos tatames e fora deles


Certa vez um aluno adulto, barbado, olhou pra mim e disse que o seu professor de Jiu Jitsu era o pai que ele gostaria de ter, porque o pai dele era pouco presente e às vezes nem se parecia com o que ele idealizava. Os puxões de orelha, os conselhos, o “senta aqui e vamos conversar” depois dos treinos, as perguntas pertinentes, as palavras certas nos momentos certos, tudo isso se traduz numa postura ímpar que alguns professores e professoras acabam assumindo dentro das academias, mesmo que de forma involuntária.

Apesar de pouco divulgado, não é raro que os alunos façam essa associação entre professor e pai, professora e mãe como forma de reconhecimento pelo trabalho por eles desenvolvido, e afinal, em algumas circunstâncias, eles acabam mesmo desempenhando tal papel.

Até que ponto isso é bom para ambos? Difícil explicar, mas é fato que muitos meninos e meninas, mesmo os mais crescidos, enxergam o líder da equipe como uma referência positiva, um amigo (a) ou aquela pessoa que está lá para o que der e vier. É, sem dúvida, uma responsabilidade enorme, pois muitos desses meninos e meninas possuem carências em vários níveis e desenvolvem esse carinho porque admitem que tiveram o rumo de suas vidas mudado por meio do esporte, representado pela pessoa que, não raramente, mais acredita neles: o (a) professor (a).

Especialmente no caso do Jiu Jitsu é público e notório que para muitos alunos se abriu um caminho com menos riscos sociais, pessoais e até afetivos, e a prova disso são as histórias de vida de tantos que foram resgatados de situações de negligência ou que foram “incluídos” por suas limitações físicas e mentais e hoje são atletas de renome e pessoas evidentemente mais felizes e realizadas: pergunte a cada um a quem eles agradecem!

A importância de um professor (a) com o perfil transformador é tão relevante que não é raro ouvirmos frases do tipo “o Jiu Jitsu mudou a minha vida”, que não se aplicariam se nela (academia) não houvesse um atrativo, uma pessoa que instiga o melhor, que acolhe, que respeita cada um dentro da sua individualidade, que abraça causas que poucos percebem, que reconhece os esforços e que está atenta às mudanças que os alunos apresentam no decorrer de suas trajetórias. Ser transformador é uma característica tão necessária que, se ausente no professor (a), provavelmente os alunos se evadirão da academia, sem aviso prévio.

Portanto, não podemos deixar de exaltar esse papel social que um professor (a) desempenha e assume no momento em que pisa num tatame para ensinar, e isso se estende tanto aos que recebem pagamento por suas aulas, como aos que estão à frente dos projetos sociais sem ganhos monetários, pois, ao usarem as ferramentas certas aliadas à vontade de fazer a diferença na vida das pessoas, independentemente do perfil dos seus alunos, eles acabam por construir algo que vai marcar a vida de cada um, tornando-se, assim, transformadores de realidades e formadores de campeões nos tatames e na vida.

E você, tem um professor (a) com um perfil transformador?

Para saber mais, a história de um professor que faz a diferença: http://www.graciemag.com/pt/2015/05/as-licoes-do-instrutor-de-jiu-jitsu-que-da-aulas-para-deficientes-e-excepcionais-na-apae/

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